São Paulo: protesto marca saída de Julio Casares após Conselho descartar impeachment

Presidente é hostilizado por torcedores após reunião que concluiu não haver provas para afastamento; diretoria sai fortalecida no campo jurídico, mas sob pressão política
Julio Cesar Casares
Foto: Divulgação / X @SaoPauloFC

Antes de tudo, o Conselho Consultivo do São Paulo encerrou a reunião sem recomendar o impeachment do presidente Julio Casares. Após análise dos pedidos apresentados, os conselheiros concluíram que não existem elementos de prova material que sustentem a abertura de um processo de afastamento. Do ponto de vista institucional, a decisão mantém Casares no cargo e esvazia, ao menos por ora, a tentativa de ruptura administrativa no clube.

No entanto, fora da sala de reunião, o cenário foi bem diferente. Na saída do encontro, torcedores ligados à organizada Brabos aguardavam o presidente e protestaram de forma ostensiva. O carro que levava Casares foi cercado, manifestantes exibiram uma faixa com a frase “Gestão Criminosa” e houve um tapa no vidro do veículo, além de gritos de cobrança como “Tem que respeitar o São Paulo”. A segurança atuou rapidamente para liberar a saída, e não houve registro de agressão física.

Internamente, a leitura é clara. O parecer do Conselho Consultivo representa uma vitória política da atual gestão e enfraquece qualquer avanço imediato no processo de impeachment. Ainda assim, o episódio escancara o desgaste de Casares com parte da torcida organizada, especialmente em meio a críticas recorrentes sobre endividamento, condução administrativa e decisões no futebol.

A diretoria entende que o tema está encerrado na esfera estatutária. Já nos bastidores, conselheiros e dirigentes admitem que a pressão externa não desaparece com uma votação. Em clube grande, resultado de reunião não apaga insatisfação acumulada. O São Paulo segue com Casares no comando, mas o recado das arquibancadas, mesmo fora delas, foi direto: a cobrança continua.

Entenda o caso:

O inquérito policial conduzido pelo delegado Tiago Fernando Correia aponta movimentações consideradas atípicas nas contas do presidente do São Paulo, Julio Casares, com base em relatórios do Coaf. A análise abrangeu um período de 29 meses, entre janeiro de 2023 e maio de 2025, e concluiu que a irregularidade não foi pontual, mas de caráter estrutural, segundo a investigação.

Nesse intervalo, Casares recebeu R$ 617,5 mil em salários pagos pelo São Paulo, valor compatível com a remuneração mensal de R$ 27,5 mil. No entanto, a conta bancária do dirigente movimentou cerca de R$ 3,19 milhões, o que representa uma média aproximada de R$ 110 mil por mês. De acordo com o relatório, apenas 19,3% dessa movimentação teria origem comprovada na renda salarial.

Ainda segundo o inquérito, há um excedente de aproximadamente R$ 2,58 milhões sem lastro em folha de pagamento. Desse total, cerca de R$ 1,5 milhão entrou na conta por meio de depósitos em espécie, o que corresponde a 47% de toda a movimentação analisada. Para os investigadores, esse volume sem rastro eletrônico reforça os indícios de incompatibilidade entre a renda declarada e os valores efetivamente movimentados.

 

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