Nunca é tarde para sonhar, para começar a competir e para “chegar, ver e vencer”. Da mesma maneira, nunca é tarde para os sonhos se tornarem realidade. A história de Daiane é essa e essa mesmo. Aventura, persistência, descoberta e… motos.
Daiane Gaia nasceu em Sertãozinho, interior de São Paulo, e transformou uma paixão em trajetória de referência no motociclismo off-road. Assim, em pouco tempo, ela acumulou feitos que a colocaram entre as melhores do país: foi vice-campeã do BITES 2020, vencedora do BMW GS Trophy Brasil 2021, finalista na etapa mundial na Albânia em 2022, e representante do Brasil na final global da mesma prova.
Além disso, ganhou o 2º lugar no Campeonato Brasileiro de Big Trails numa época em que não havia categoria feminina, e integrou a diretoria da competição, tendo cuidado de patrocínios, mídia e relações institucionais. A sertanezina de 42 anos já foi, também, embaixadora oficial da Ducati no Brasil e consolidou parcerias com Alpinestars, W-Tech Suspensões e projetos com a Montblanc.
Vitórias, lesão e a descoberta de um novo papel no esporte
Contudo, a história de Daiane não começou propriamente cedo. Ela confessa: “Comecei a andar de moto aos 34 anos. Tive uma carreira esportiva curta mas muito compacta.” Gaia acrescenta, ainda, com orgulho e memória das voltas que deu: “Mesmo dois anos após ter a minha habilitação, foi logo competir e participei no BMW GS Trophy.”. “No primeiro não consegui mas coloquei como objetivo treinar e, dois anos depois, eu ganhei”, partilha.
Depois das vitórias e da glória, entretanto, veio também a reflexão e o lado executivo. “Quando voltei dessa fase, tinha-me machucado, fiquei um período sem andar de moto porque tive de operar o joelho, mas a paixão pelo esporte permaneceu,” diz ela, que em 2023 e 2024 atuou na diretoria do Campeonato Brasileiro de Big Trail. Daiane observa que a realização de subir no pódio é a mesma de organizar uma prova. Nesse sentido, ela passou a incentivar o esporte também pela mídia e pelo empreendedorismo.
Um mundo inteiro para explorar a duas rodas
Mais ainda, para ela, a moto é viagem e sensorialidade. “Mais do que isso, o que sempre gostei de verdade de fazer com a moto é de viajar,” afirma. Hoje é sócia de duas empresas de turismo de moto, organiza expedições pelo Brasil, pelos Alpes e pela África do Sul, e sonha alto: “Tenho mais lugares que quero conhecer do que expectativa de vida (risos). Falta conhecer muito. Quero explorar o que posso.”
Daiane é engenheira, empreendedora e, sobretudo, sensível. Assim, entre a poeira dos trilhos e a emoção das paisagens, ela prova que nunca é tarde para reescrever a própria história.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal





