Kelson Pinto: da elite olímpica ao ringue profissional, a voz de quem viveu o boxe no mais alto nível

Medalhista pan-americano e ex-atleta olímpico, Kelson Pinto relembra sua trajetória, analisa o boxe em alto nível e fala sobre disciplina, carreira e formação de novos atletas no Brasil
Kelson Pinto e a vida no boxe de elite
Foto: Divulgação

Poucos nomes do boxe brasileiro carregam uma trajetória tão completa quanto Kelson Pinto. Atleta olímpico em Sydney, medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg e desafiante ao título mundial da WBO diante de Miguel Cotto, Kelson atravessou diferentes eras do esporte — do amadorismo de alto rendimento ao boxe profissional de elite.

Hoje, formador de jovens atletas por meio de projetos sociais, ele segue contribuindo ativamente para o crescimento da modalidade no país.

Em entrevista ao RTI Esporte, Kelson falou sobre as diferenças entre o boxe olímpico e o profissional, os aprendizados que só grandes lutas proporcionam e os valores que a nova geração precisa compreender para construir uma carreira sólida e duradoura no esporte.


Sobre as diferenças entre o boxe olímpico e o profissional

“No amador, precisamos colocar muita velocidade, claro, sempre com precisão e qualidade nos golpes. O ritmo é muito intenso, o volume de golpes é alto.

Já no profissional, os golpes precisam ser mais duros, mas também muito precisos. A luta não é tão rápida quanto no olímpico. Não é só golpear por golpear, é saber escolher o golpe certo, no momento certo.”


Sobre representar o Brasil em grandes competições internacionais

“Se tornar um atleta olímpico já é algo muito grande. Você precisa superar muitas barreiras para conquistar uma vaga olímpica, para ganhar medalhas.

Ir para uma final de Jogos Pan-Americanos faz valer tudo o que você passou até chegar ali. Todo o sacrifício, toda a renúncia, tudo isso ganha sentido.”


Sobre enfrentar nomes como Miguel Cotto

“Os treinos são muito importantes. Sem eles, não chegamos a lugar nenhum. Precisamos muito deles.

Mas as lutas te dão uma experiência que nenhum treino consegue reproduzir. É ali que você aprende de verdade. Mesmo assim, a sua evolução sempre depende dos treinos. Um complementa o outro.”


Sobre a nova geração e a construção de carreira no boxe

“Os jovens precisam entender que, sem treino, não se chega a lugar nenhum. Mas não é só treinar. É ter constância, preparação física, dieta, descanso.

Eu trabalho com um projeto social, o Dsteam, e sempre converso com meus atletas sobre isso. Qualidade no treino, qualidade na alimentação e um bom descanso.

Mesmo fazendo tudo certo, às vezes ainda dá errado. Imagina fazendo tudo errado?”


📌 Ficha técnica – Kelson Pinto

  • Atleta olímpico nos Jogos de Sydney (2000)

  • Medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg (Canadá)

  • Boxeador profissional com carreira internacional

  • Desafiante ao título mundial da WBO contra Miguel Cotto

  • Referência na transição do boxe olímpico para o profissional

  • Atualmente criador de conteúdo digital e formador de atletas em projeto social

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