Antes de mais nada, o aporte de US$ 50 milhões (R$ 261,7 milhões, na cotação atual) destinado ao Botafogo não virá diretamente de recursos próprios de John Textor, acionista majoritário do futebol alvinegro, como se imaginava inicialmente.
A Agência RTI Esporte apurou que o dinheiro está ligado a uma operação estruturada com um fundo norte-americano especializado na compra de dívidas de empresas em dificuldade financeira. A princípio, o investidor é a GDA Luma, empresa dos Estados Unidos comandada por Gabriel de Alba.
O grupo atua no mercado de distressed assets. Na prática, compra dívidas consideradas arriscadas, com desconto, e assume posição ativa na reestruturação dos negócios. Esse tipo de fundo, por exemplo, não funciona como um patrocinador ou parceiro esportivo. Ele empresta dinheiro em condições duras.
Cobra juros elevados, exige garantias fortes e busca retorno financeiro no médio e longo prazo. O pacote oferecido ao Botafogo inclui cláusulas que podem comprometer receitas futuras, como valores de vendas de jogadores. Há também previsão de garantias que reduzem a liberdade de gestão da SAF.
Ainda segundo apurou a reportagem, a operação vai além do Botafogo. Ela faz parte de uma tentativa de reestruturação da Eagle Holding, grupo que reúne clubes controlados por John Textor, como o próprio Botafogo e o Olympique Lyon, da França.
A ideia é usar o aporte para reorganizar dívidas que hoje estão com a Ares Management, principal credora do empresário. Com isso, o novo fundo pode passar a ter influência relevante sobre a holding de John Textor.
Socorro imediato, perda de autonomia no horizonte
Nos bastidores do Botafogo, por exemplo, o aporte vem sendo tratado como um socorro emergencial. Desse modo, o clube ganha fôlego imediato para cumprir obrigações e manter a operação em funcionamento. O temor está no depois.
As exigências do fundo podem amarrar decisões esportivas, limitar investimentos e reduzir a autonomia da SAF Botafogo. Há também receio de que o investidor passe a influenciar escolhas estratégicas do grupo.
Dirigentes avaliam que o acordo pode representar uma mudança estrutural no modelo de gestão. O desfecho da negociação indicará se o aporte será apenas um alívio temporário ou o início de uma nova fase, com maior peso do mercado financeiro sobre o futuro do Botafogo.


