José Mourinho queria, sim, voltar a trabalhar com brasileiros no Benfica. No entanto, a mudança de alvos no mercado da bola, aliada à concorrência de outros clubes europeus, fez com que as águias não conseguissem fechar as contratações de André Luiz, do Rio Ave, e Wesley, do Al-Nassr.
André Luiz, formado no Flamengo e a viver a melhor temporada da carreira, acabou por ter outro destino. Após marcar sete gols e distribuir cinco assistências com a camisa do Rio Ave, o atacante foi apresentado oficialmente pelo Olympiacos, atual campeão grego e vice-líder da Superliga.
O negócio foi fechado por cerca de 7 milhões de euros, valor inferior ao que vinha sendo discutido com o Benfica. Isso aconteceu porque o proprietário do clube grego detém uma participação relevante na SAD do time português.
Além disso, Flamengo e America-RJ deverão receber valores referentes ao mecanismo de solidariedade da FIFA, uma vez que participaram da formação do atleta brasileiro. Wesley, por sua vez, também ficou distante do Benfica.
O atacante, que chegou a ser negociado pelo Timão nesta janela de transferências, assinou com a Real Sociedad. O clube espanhol acertou o empréstimo do jogador por seis meses. O acordo possui cláusula de opção de compra fixada em 12 milhões de euros (R$ 74,5 milhões, na cotação atual)
Afinal, quem o Benfica contratou?
Apesar da clara necessidade de reforços para as pontas, o Benfica acabou por mudar de estratégia. A possibilidade de repatriar Rafa Silva, que viveu um litígio contratual com o Besiktas, arrefeceu o interesse nos atacantes brasileiros.
Mais ainda, o time contratou o caboverdiano Sidny Lopes Cabral, que pode jogar a lateral e como ponta dos dois lados, ao Estrela da Amadora por um preço baixo no mercado da bola. Além disso, outros fatores pesaram na decisão da diretoria.
O regresso de Bruma após lesão, o encurtamento do tempo de recuperação de Dodi Lukebakio, o crescimento de Andreas Schjelderup, autor de dois gols contra o Real Madrid na Champions League, e a evolução de Gianluca Prestianni deram mais opções ao setor ofensivo do Glorioso.
Mesmo sem brasileiros no elenco principal, o Benfica de José Mourinho atravessa um momento positivo. Na Champions League, a equipe protagonizou uma reviravolta histórica diante do Real Madrid e garantiu a classificação com um gol do goleiro Trubin no último lance da partida.
No Campeonato Português, embora esteja a dez pontos do FC Porto, o time segue vivo na disputa pela segunda colocação com o Sporting. Ainda assim, tudo indica que Mourinho seguirá, ao menos por enquanto, sem jogadores brasileiros no plantel encarnado.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal





