O Xicão é um talento que ainda está sendo lapidado”, diz Lino Barros após o UFC 325

Treinador de boxe do peso-pesado brasileiro destaca maturidade, ajustes técnicos e o impacto da vitória na trajetória de Xicão no UFC
Lutador brasileiro Xicão, peso-pesado do UFC, dentro do octógono de braços abertos após vitória, diante do público na arena em Sydney, durante o UFC 325
Foto: Divulgação

Leitura direta do octógono

A análise vem de quem esteve in loco. Poucos dias após o UFC 325, realizado na Austrália, o RTI Esporte ouviu com exclusividade Lino Barros, treinador responsável pelo boxe de Xicão. O peso-pesado brasileiro deixou o octógono com uma vitória consistente e, acima de tudo, estratégica.

Segundo Lino, o desempenho traduz o estágio atual do atleta. “O Xicão é um lutador em desenvolvimento. Tem apenas 10 lutas no MMA e já soma sete nocautes. É um grande talento e, por isso, precisa seguir sendo lapidado. Ainda assim, gostei bastante da atuação, principalmente no boxe. Além disso, o resultado positivo facilita o crescimento dele dentro da organização.”

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Evolução técnica visível no boxe

Durante o confronto, ajustes técnicos ficaram claros. Houve melhora na postura, no tempo de golpe e também na leitura defensiva. Para Lino, essa evolução está diretamente ligada à adaptação do boxe ao MMA.

“O boxe no MMA é diferente. O timing muda completamente. Além disso, no peso-pesado, um único golpe pode decidir tudo.”

Assim, o trabalho foi focado em eficiência e controle. Consequentemente, Xicão conseguiu reduzir riscos, mantendo agressividade na medida certa — algo fundamental em lutas longas no UFC.

Confiança, família e processo de construção

Além da técnica, existe um fator emocional determinante. Lino relembra o início da parceria e a responsabilidade assumida desde o começo.

“Quando trouxe o Xicão para São Paulo, a família confiou em mim, principalmente a mãe e o irmão. Por isso, vê-lo tendo resultados positivos me deixa muito feliz.”

Nesse sentido, o plano foi claro: explorar a longa distância, aproveitando o tamanho do atleta. No entanto, sem limitá-lo. “Ele é eficiente na curta, média e longa distância. Isso amplia bastante as possibilidades dentro da luta.”

Estratégia coletiva acima do protagonismo

Curiosamente, o boxe não foi o centro absoluto do camp — e isso foi uma decisão estratégica. “Nesse camp eu trabalhei menos… risos”, contou Lino.

Por outro lado, a preparação priorizou a luta agarrada e o solo. Dessa forma, o time construiu uma estratégia equilibrada. “Mantivemos a tática de luta. Nosso time é muito bom. Além disso, foi a primeira vez que o Xicão lutou três rounds no MMA. As outras lutas não duraram quase nada.”

Vitória, maturidade e próximos passos

O resultado confirmou o planejamento. Vitória por decisão unânime, atuação segura e controle emocional. “Ele foi técnico, trabalhou muito bem o grappling e teve uma performance segura e dominante”, avaliou Lino.

Por fim, o foco já está no futuro. “Agora é manter disciplina, foco e humildade. Só assim vamos avançar para desafios maiores dentro do UFC.”

A entrevista exclusiva ao RTI Esporte revela mais do que uma vitória. Revela método, leitura de jogo e construção. É o retrato de um peso-pesado que começa a compreender o que significa competir — e evoluir — no mais alto nível do MMA mundial.

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