É oficial, Philippe Coutinho rescindiu com o Vasco na noite da última sexta-feira, 20. Falo com convicção que Coutinho é o jogador mais supervalorizado da sua geração. Acredito que nesse momento o torcedor do Vasco esteja dividido entre não querer concordar com essa afirmação ou se acostumar com a ideia de que o ídolo pode nunca ter alcançado o nível imaginado.
É a minha opinião. Mas antes, preciso dizer que toda pessoa que sofre com problemas psicológicos, como afirmou o meia, precisa de atenção, carinho e tratamento especializado. Torço para que Philippe Coutinho se recupere, encontre forças em Deus e na família.
Mas em qualquer profissão é necessário estar pronto para receber críticas, encarar o problema e seguir a vida. Essa pressão é ainda maior quando se fala de futebol. No futebol não vale tudo, mas é quando o cidadão médio encontra a liberdade para extravasar, amar, odiar, questionar e se sentir parte.
Ídolo é Roberto Dinamite
Philippe Coutinho sempre foi tratado como parte do Vasco, mesmo quando não estava no clube. Ele sempre fez questão de fazer parte. Seu amor pelo clube é inquestionável.
O torcedor entende isso. Falei por muitas vezes que somente o Vasco seria capaz de recuperar a alegria do Philippe Coutinho, nenhum outro clube teria o poder de recuperar o futebol do meia. Não deu. Coutinho chegou com funk, com festa, com status de ídolo que nunca foi. Poderia ser, mas pulou do barco.
Recentemente, o futebol brasileiro viu as voltas de nomes como Diego, Filipe Luís, Marcelo, Thiago Silva, Neymar, entre outros. Desses citados, todos fizeram a diferença para seus times. Chegaram com status de jogadores “europeus”, jogadores de seleção brasileira, e entregaram o esperado.
Nesse meio tempo, Philippe Coutinho pode ter sido importante em um ou outro jogo do Vasco. Mas não decidiu nada, não foi o nome de nada, não fez aquela atuação esperada, não foi líder dentro de campo, não foi a parede para a pressão.
Era de se esperar, nos últimos anos não conseguiu jogar em time de meio de tabela da Inglaterra. Não foi bem no Catar. Por que seria importante no Brasil? Numa sequência de 10 jogos, quando o Vasco se livrou do risco de rebaixamento, houve quem pedisse Philippe Coutinho na Seleção Brasileira. Loucura!
Coutinho decepcionou e abriu os olhos do torcedor
Infelizmente, para o torcedor apaixonado do Vasco, o “Coutinho voltou querendo de menos”. Pressão? Não teve. O torcedor poupou o meia até o último jogo pelo clube. Fernando Diniz gritava na beira do campo com todos, mas parecia não ver Coutinho.
Philippe Coutinho viveu seu auge no Liverpool. Quando se imaginava o crescimento do futebol no Barcelona, não aconteceu. É hora de entender que Philippe Coutinho nunca foi o jogador que o torcedor brasileiro imaginou que ele seria. Não resta dúvida de que ele é um bom marido, bom pai, bom filho.
Quem conhece, sabe o caráter do homem. Sabe o tanto que ele se dedica para as pessoas, crianças. Philippe Coutinho é um homem fantástico. A crítica fica restrita ao campo. Ele passou pelo Vasco, ama o clube. Mas não merece o status de ídolo como Roberto, Edmundo, Romário, Germano, Juninho Pernambucano, etc.
(*) Cassiano Carvalho é jornalista, radialistae sócio-fundador da Agência RTI Esporte





