Marco Marcondes: O desafio brasileiro de Eduardo Domínguez no Atlético-MG

Treinador chega ao Galo cercado de expectativa, desafios estruturais e o peso de um elenco que cobra protagonismo
Marco Marcondes: O desafio brasileiro de Eduardo Domínguez no Atlético-MG
Foto: Divulgação/ Instagram @caindependiente

Quando olhamos o currículo de Eduardo Domínguez, é impossível ignorar: campeão da Copa Argentina (2023), da Copa da Liga (2024), do Troféu de Campeões (2024 e 2025) e do Campeonato Argentino (2025) pelo Estudiantes de La Plata. Títulos recentes, trabalho consolidado, identidade clara.

Então surge a pergunta: por que deixar um ambiente onde era querido por jogadores, torcida e dirigentes — com direito a despedida emocionante — para assumir o Atlético-MG? A resposta parece simples: desafio e projeção.

O desafio brasileiro

A princípio, o futebol brasileiro é visto por muitos estrangeiros como um dos campeonatos mais exigentes do mundo. Calendário sufocante, viagens longas, pressão constante. Aqui, o técnico perde três jogos e já começa a balançar.

Todo profissional busca crescer. E comandar um clube grande do Brasil, que quer retomar o protagonismo na América do Sul, é uma vitrine relevante. O Galo não esconde o objetivo de voltar ao topo continental.

Mas há um detalhe essencial: estabilidade. Sem respaldo interno, nenhum projeto resiste. O discurso de continuidade precisa sair da entrevista coletiva e virar prática. Além disso, os dirigentes precisam reduzir o amadorismo histórico, e os torcedores entenderem que trabalho sólido leva tempo.

Estilo e encaixe no elenco

Eduardo Domínguez gosta de transição rápida, defesa organizada, marcação alta e time compacto. É um treinador que valoriza estrutura tática e intensidade. A tendência é vermos um Atlético-MG mais equilibrado do que em momentos recentes sob Jorge Sampaoli, cujo trabalho sempre divide opiniões.

Com as últimas contratações, o elenco parece oferecer material interessante. Jogadores como Renan Lodi, Ángelo Preciado e Vitor Hugo podem crescer em um sistema mais organizado. A dúvida é como o grupo vai assimilar rapidamente as ideias do novo treinador.

E há a questão da liderança. O clube dará respaldo total ao técnico mesmo diante de eventuais reclamações de figuras fortes do elenco, como Hulk? Esse tipo de alinhamento interno costuma definir o sucesso ou o fracasso de um projeto.

Estrangeiros no comando

Curioso notar que, enquanto se debate o excesso de jogadores estrangeiros, o Brasil segue abrindo espaço para técnicos de fora. O argumento vale também para a beira do campo? A resposta prática é clara: o mercado busca competência, não nacionalidade.

E já que a provocação é inevitável: não caberia Renato Gaúcho nesse contexto? Talvez. Mas o Atlético-MG optou por um perfil mais estratégico e menos midiático. No fim, acredito que foi uma boa contratação. O currículo sustenta a aposta.

O estilo combina com a necessidade de reorganização do time. Minha única interrogação está no ambiente — porque no Brasil, muitas vezes, o problema não é o treinador, é o entorno. Se houver respaldo e coerência, pode dar muito certo.

Se não houver, será apenas mais um capítulo da nossa eterna ansiedade futebolística. Campeão recente na Argentina, treinador chega ao Galo cercado de expectativa, desafios estruturais e o peso de um elenco que cobra protagonismo e ambição continental.

(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte

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