O relógio marcava pouco mais de um minuto de luta no KnuckleMania VI, na Filadélfia, quando o mundo do boxe sem luvas parou para testemunhar o impensável. Aos 46 anos, o eterno “bad boy” do MMA, Charles Bennett, agora atendendo pela alcunha de “Felony”, provou que o tempo pode levar a velocidade, mas nunca a pegada — e muito menos a loucura.
Diante de um Pat Sullivan atônito, Bennett conectou o golpe que precisava para interromper uma sequência amarga de derrotas e explodir em uma comemoração que só ele sabe fazer. Para quem achava que o veterano era carta fora do baralho, a resposta veio seca, no queixo. Não tem colé-colé! Quando o “Cavalo Louco” resolve galopar, sai da frente que o coice é certo.
Fantasmas do Passado: A Rixa com a Chute Boxe
Ver Bennett brilhando novamente nos holofotes nos faz viajar no túnel do tempo, diretamente para os bastidores do extinto PRIDE, no Japão. É impossível falar de Charles Bennett sem citar a lendária — e polêmica — rivalidade com os brasileiros.
Quem não se lembra da confusão generalizada com Cristiano Marcello nos corredores do evento? Naquela ocasião, o brasileiro finalizou Bennett com um triângulo em uma briga de bastidores filmada para a eternidade. Mas o capítulo mais surreal veio depois: Bennett afirma até hoje que, após acordar do apagão, nocauteou ninguém menos que o “Cachorro Louco”, Wanderlei Silva, com um soco no vestiário.
Se é lenda urbana ou verdade absoluta, o fato é que Bennett construiu sua carreira nesse limiar entre o folclore e a brutalidade.
O Renascimento no BKFC
A vitória sobre Sullivan no último dia 7 de fevereiro não foi apenas mais um número no cartel. Foi o lembrete de que o entretenimento no mundo das lutas ainda precisa de personagens autênticos, por mais caóticos que sejam. Bennett entrou no ringue sob desconfiança, mas saiu carregado pela energia de uma plateia que aprendeu a amar o vilão.
No RTI Esporte, a gente analisa o jogo, mas também reverencia a história. E a história de “Krazy Horse” ganhou mais um capítulo dourado (ou melhor, sangrento) nas areias do BKFC.
O recado está dado: com o homem, não tem colé-colé!





