Antes de tudo, Leonardo Jardim parte sempre de princípios claros nos times que comanda. Primeiro, o técnico que deverá assumir o Flamengo procura compactação entre linhas. Assim, a defesa e o meio-campo mantêm distâncias curtas, o que facilita a recuperação coletiva.
Em seguida, procura transições verticais rápidas. Quando recupera a bola, a equipe tenta progredir em poucos toques para explorar espaços entre defesa e meio adversário. Formacionalmente, o técnico português alterna entre 4-3-3 e 4-2-3-1 conforme o adversário e o material humano.
Com isso, garante solidez sem perder capacidade ofensiva. No Cruzeiro, esse ajuste foi visível: jogadores-centro mais interiores aproximavam-se do ponta para criar superioridade numérica na zona central. Ao mesmo tempo, os laterais subiam com frequência para abrir o jogo pelas faixas.
Movimentações preferenciais incluem trocas rápidas de posição entre extremos e médios criativos. Portanto, há rotatividade que confunde marcações. Ademais, Jardim valoriza diagonais do ponta e infiltrações do médio interior.
Essas ações são coordenadas para abrir linhas de passe e criar oportunidades de finalização na entrada da área. No plano defensivo, o treinador exige pressão em bloco médio e pressão seletiva alta, sobretudo em momentos em que o adversário sai com três no fundo.
Assim, condiciona saídas e força erros. Também implementa cobertura entre lateral e médio para evitar desequilíbrios quando o lateral avança. Kaio Jorge, Matheus Pereira, Fabrício Bruno e Kaiki foram os jogadores que mais se destacaram, em 2025, na Raposa comandada pelo técnico português.
Bloqueios e marcação mista nas bolas paradas
Bolas paradas recebem atenção metódica. Jardim treina esquemas ofensivos com bloqueios e movimentos programados, ao mesmo tempo que organiza marcação mista em lances defensivos. Em especial, prioriza rotinas que aproveitam a altura ou a mobilidade dos seus atacantes.
Por fim, ao chegar ao Rubro-Negro, espera-se que mantenha esses pilares: equilíbrio posicional, transição eficaz e trabalho de bola parada. Assim, adaptações táticas dependerão do plantel, mas a matriz de jogo tende a seguir o mesmo traçado da sua experiência mais recente no Brasil.
Certo é que Mônaco, Olympiacos, Al-Hilal e Cruzeiro, os times onde ele foi mais bem-sucedido e venceu troféus, jogavam bom futebol e é isso que a torcida do Mengão pode esperar. Em suma, uma proposta de futebol de ataque com a parte defensiva também não sendo descuidada.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal





