Do Peñarol ao Botafogo, Juan Castillo se dedica a ajudar atletas: “Muita gente me ferrou”

Antes de mais nada, o ex-goleiro Juan Castillo, que passou pelo Botafogo entre os anos de 2008 e 2009, hoje em dia se dedica a ajudar jogadores que estão em atividade para terem um período de aposentadoria em melhores condições financeiras. Em entrevista exclusiva a Agência RTI Esporte, uruguaio, que atualmente tem 46 anos, explicou como funciona o seu trabalho.
“Com uma empresa americana estamos assessorando os jogadores de futebol para que tenham seu plano de aposentadoria e terminem a carreira com dignidade, seja qual for o seu perfil. Dos mais consagrados para quem está começando. A função de conscientizar. É fundamental porque muitas vezes eles não percebem que você abre e fecha os olhos e se aposenta”, afirmou Castillo, que disse ter obtido contato com jogadores importantes do futebol carioca.
“Aqui no Rio de Janeiro estive com o Nicolás de la Cruz, o Giorgian De Arrascaeta, o Guillermo Varela e justamente também com o Gatito Fernández para apresentar a empresa e as opções de investimento. Graças a Deus estamos muito bem e trabalhamos com 15 jogadores da seleção principal e outros 500 do Uruguai, Peru, Colômbia, Chile e Argentina. Estou motivado a ajudar porque muita gente se aproxima do jogador. Isso aconteceu comigo: muita gente se aproximou de mim e me ferrou”, completou.
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Depois de ter feito uma carreira de muito sucesso, aonde defendeu grandes clubes e representou a seleção uruguaia em uma Copa do Mundo e duas edições da Copa América, o ex-goleiro sabe da importância de colocar nos jovens jogadores a consciência de pensar no futuro depois da aposentadoria.
“Desse lado tentamos conscientizar e fazer com que vejam: “rapaz, tente economizar pelo menos 70% do que você ganha, porque depois vai complicar”. Ou seja, então você tem que fazer todo esse dinheiro render, e isso é mais um investimento. Você começa com imóveis, depois em ações de banco, em títulos, e isso é outro ferramenta para proteger os investimentos que você tem, para proteger você, sua família, e ter, no final do caminho, dinheiro para o que quiser, pagar a faculdade dos seus filhos, fazer uma viagem, o que quiser, mas tenha sempre uma reserva”, disse Castillo, que também destacou que o importante é a forma como tratam os jogadores neste momento.
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“São clientes que influenciam os jovens através do boca a boca, que é o melhor marketing, porque não temos publicidade. O nosso marketing é a forma como tratamos o jogador, a confiança que geramos e os conselhos que lhe damos. São processos longos e nós os acompanhamos”, concluiu Castillo.
O ex-goleiro falou também sobre a semifinal da Copa Libertadores da América, aonde o Botafogo enfrenta o Peñarol. Lembrando sua passagem pelo futebol brasileiro, Castillo citou a situação econômica difícil que o alvinegro atravessava.
“O Peñarol tem sua história, que faz valer a pena, e o Botafogo está em processo de crescimento. Quando joguei no Botafogo (entre 2008 e 2009) a situação econômica era totalmente diferente e sempre houve dívidas. A estrutura não era das melhores, mas hoje está num nível de total profissionalismo porque chegaram dois investidores americanos”, disse Castillo, que completou deixando uma possibilidade para o Peñarol chegar à decisão.
“Os resultados são visíveis. Embora no ano passado tenha perdido o Brasileirão depois de uma grande vantagem, e agora seja o primeiro com uma diferença que foi encurtada, está na disputa em duas competições exigentes. Eles pensam na copa, mas também no Brasileirão, e talvez isso possa ser favorável ao Peñarol”, avaliou Castillo, também citando o momento que vive o alvinegro.
“O Botafogo é um time mais intenso e vertical. Vejo os jogadores do Botafogo mais afiados. O Botafogo tem tido a característica, não só na Copa Libertadores da América, mas no Brasileirão, de fazer a diferença nos primeiros 20 ou 25 minutos de cada tempo, e tem tido um pouco de dificuldade na hora de matar o jogo”, completou.
Apesar de ter defendido os dois clubes durante a carreira, Castillo não se mostrou dividido e revelou sua torcida para o Peñarol. Até por isso, o ex-goleiro destacou como deve ser a postura do time uruguaio para tentar reverter a vantagem construída pelo Botafogo.
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“Acho que o Peñarol deveria fazer uma abordagem agressiva. O Peñarol precisa ter uma boa tática defensiva para evitar passes que rompam as linhas e, a partir daí, construir uma partida inteligente em que a ansiedade passe para o outro lado. Só assim o Peñarol poderá surpreendê-los em Montevidéu”, destacou Castillo, antes de completar.
“Como torcedor estou animado com a possibilidade de o Peñarol chegar à final da Copa Libertadores da América, o que não acontece desde 2011. O time tem muita qualidade e precisa entrar em campo sem sentir a pressão de ter que reverter a vantagem do Botafogo. O resultado sairá com naturalidade. Sei que será difícil, mas espero que o Peñarol consiga reverter o placar e chegar a essa tão esperada final”, finalizou.
No primeiro jogo, que foi disputado no Estádio Nilton Santos, o Botafogo venceu pelo pacar de 5 a 0. Desta maneira, o Peñarol vai precisar vencer por seis gols de diferença para avançar de maneira direta à decisão da Libertadores. O Glorioso pode perder por uma diferença de até quatro gols que mesmo assim se garante na final.