Antes de tudo, o técnico Abel Ferreira viveu uma noite de emoção pura no Allianz Parque ao completar cinco anos no comando do Palmeiras. Além da marca, ele fica na história com uma das maiores viradas da história do clube. Em coletiva após a vitória sobre a LDU por 4 a 0, o português revelou que havia “profetizado” a noite mágica.
Abel creditou o resultado à fé, ao trabalho e à sinergia construída dentro do clube. “Quando acabou o jogo com o Cruzeiro, eu fui para casa e comecei a rezar na segunda, terça e quarta-feira. Só que Deus disse, vai fazer a tua parte porque não adianta rezar, porque os outros do outro lado também estão a rezar. Então tem muito a ver com isso, com o trabalho, com a preparação”, contou.
O português reconheceu as dificuldades do jogo de ida e exaltou a resposta do elenco em casa. “Na primeira parte, o nosso adversário foi muito melhor. Em alguns momentos pareciam que iam de moto e nós parados. Na segunda parte corrigimos. Mesmo fazendo mau jogo lá, criamos chances para não vir com 3 a 0. Hoje foi tático e mental. Esperávamos uma noite mágica e ela aconteceu”, disse o treinador.
Ademais, o técnico destacou a importância da torcida e o peso do Allianz Parque. “Quando o estádio está assim, é pesado para quem vem jogar. Eles empurram e ajudam-nos. Pena que não seja sempre assim. É difícil para o adversário aguentar”, afirmou. Ele também valorizou o comprometimento do grupo: “Um elenco não tem só uns jogadores. Tem 23 preparados. Ganhamos com os que entraram, com circulação rápida e largura máxima nos flancos”, explicou.
Entre os nomes elogiados, Abel reservou palavras especiais para Allan, eleito o melhor em campo. “É um menino que praticamente não jogava no Sub-20. Falei com o Barros e disse: este moleque não pode sair do Palmeiras. Tem um arranque absurdo, um compromisso defensivo fora do comum. Já vendemos muitos jogadores, não precisamos vender mais. Ele é muito bom e merece ser reconhecido”, destacou.
Abel também se emocionou ao falar do ambiente interno no clube. “Dentro do CT é uma verdadeira família. Trato as funcionárias como parte de tudo. Elas me fazem um batido especial de manhã. Isto nunca será só futebol, é muito mais do que o que se vê das quatro linhas. Essa sinergia só podia dar nisto”, disse, visivelmente comovido.
Abel Ferreira chorou após o apito final e não segurou as lágrimas na coletiva?
Em suma, sobre sua emoção ao fim da partida, o técnico desabafou: “Eu ainda não consigo desfrutar das vitórias. Penso todos os dias que preciso provar que mereço o meu lugar. Tenho de provar a mim mesmo, aos meus jogadores, que sou bom o suficiente. Representar 16 milhões de torcedores é uma responsabilidade enorme. Quando acaba, o sentimento é de alívio. Pensei na minha filha, que está em Portugal. Chorei, e não gosto de mostrar o meu lado fraco.”
Para concluir, Abel elogiou Veiga, autor do gol decisivo, e reconheceu os erros do primeiro jogo. “Jogamos mal lá, e eu fui um dos responsáveis. Ele ficou chateado por ter sido substituído, mas há muitas formas de ser protagonista. Hoje, ele mostrou o porquê de ser importante. Mesmo bravo comigo, ele entrou e decidiu. Disse antes do jogo: se há equipe no Brasil capaz de revirar, é o Palmeiras. Conseguimos. 24 horas e domingo há mais.”




