Nos últimos dias, um vídeo de Alex Poatan passou a circular intensamente pelas redes sociais. À primeira vista, parece apenas mais um registro de treino. No entanto, a fala do lutador vai além do impacto superficial e entrega uma aula sobre processo, método e alto rendimento.
“Tanto de porrada que eu tomo… eu não ligo. Aqui eu não estou apanhando. Estou evoluindo”, diz Poatan no vídeo. Antes de tudo, a frase não é provocação. Na verdade, é uma explicação direta de como se constrói um atleta de elite.
Enquanto muitos observam apenas o golpe que entra, Poatan chama atenção para o que acontece depois dele. Afinal, treino não é espetáculo. Ao contrário, é o espaço do erro, do ajuste e da repetição. Ainda assim, na lógica das redes, alguém sempre recorta o momento errado, constrói uma narrativa rasa e ignora o contexto.
No vídeo, o lutador detalha a mudança de jogo. Segundo ele, o trabalho atual é mais plantado, mais agressivo e mais consciente. Além disso, fala abertamente sobre trocar golpes com um atleta mais velho, apanhar, bater e seguir evoluindo. Ou seja, o desconforto faz parte do crescimento.
Outro ponto destacado por Poatan é a presença constante das câmeras. Por um lado, ele entende quem filma. Por outro, alerta para o risco da exposição fora de contexto. Pais, amigos e curiosos registram o treino sem compreender o processo. Ainda assim, Poatan aceita o risco. “Talvez você vai me derrubar”, diz. “Mas pode ser que seja você.”
Dessa forma, o vídeo deixa de ser apenas um recorte de treino e se transforma em manifesto. Enquanto muitos treinam para parecer prontos, Poatan treina para estar pronto. Portanto, apanhar ali não significa perder — significa aprender.
Por fim, o que viraliza não é a porrada. É a mentalidade. Em um esporte onde a pressa domina as narrativas, Poatan lembra que evolução não acontece diante da câmera, mas longe dela.


