Antes de tudo, Alfredo Sampaio, diretor da Federação Brasileira de Treinadores, negou ter deixado o cargo após a polêmica no Fórum de Treinadores, realizado na sede da CBF. “Na realidade, foi noticiado que eu entreguei o cargo, mas eu não entreguei 100%. Eu falei que era um desejo, uma tendência. Conversei com o Vágner (Mancini), ele pediu para eu viajar e refletir. Estou há muito tempo nisso, e cansa”, afirmou.
O dirigente explicou que o evento foi idealizado em parceria com a CBF e contou com apoio de Carlo Ancelotti, que chegou a ajustar sua agenda para participar. “Esse evento era para o fim de novembro, mas mudamos a data. O Ancelotti é uma figura simpática, muito simples. Conversamos uns 40 minutos. Ele sugeriu contatos e ajudou a intermediar a participação dos treinadores espanhóis”, contou.
Segundo Sampaio, o propósito do encontro era discutir o enfraquecimento do técnico brasileiro, não atacar treinadores estrangeiros. “O tema era importante: o que precisa ser feito para melhorar, porque perdemos tanto espaço. Não era nada de xenofobia. Ninguém está contra os estrangeiros. O problema é que os técnicos brasileiros perderam espaço e nossas licenças não têm equivalência”, explicou.
Alfredo Sampaio bloqueou Oswaldo de Oliveira?
Sobre a fala de Oswaldo de Oliveira, o diretor reconheceu que o tom surpreendeu a todos. “O Oswaldo entrou muito pesado no palco. Ali era um momento de homenagem, eles iam receber um prato bonito, falar algumas palavras. E, naturalmente, quando receberam o microfone, fizeram colocações que todos já sabem”, disse.
Sampaio contou que as reações foram imediatas dentro da CBF. “Começaram a chegar mensagens da diretoria, muito furiosas. Eu não sabia o motivo, até ver os cortes do Oswaldo. Por isso, me pronunciei sobre ele. Os trechos eram muito agressivos. Foi infeliz e criou um problema institucional sério”, declarou.
Ele reforçou que a CBF estava empenhada em reaproximar-se dos treinadores e acabou surpreendida. “A entidade não quer holofotes ruins. Foi gentil, abriu as portas, e acabou sendo atacada. Foi um momento ruim, e eu não tive prazer nenhum em falar aquilo, mas tinha que me posicionar”, afirmou.
Apesar do desgaste, Sampaio fez questão de defender Oswaldo como pessoa. “O Oswaldo é um amigo querido, sempre participou conosco. Mas teve um momento muito ruim e causou um dano grande. Eu perdi um amigo, fui duro com ele. E vejo gente sendo covarde, falando coisas que não têm nada a ver”, lamentou.
Por fim, o dirigente expressou frustração com o desfecho do Fórum. “O que era para ser um evento fantástico tornou-se uma celeuma. Virou um evento negativo. Foi desagradável e nada saudável. Eu não fiquei feliz com o que aconteceu”, concluiu Alfredo Sampaio.


