Alex Poatan e a pedagogia da porrada

Nos últimos dias, um vídeo de Alex Poatan passou a circular intensamente pelas redes sociais. À primeira vista, parece apenas mais um registro de treino. No entanto, a fala do lutador vai além do impacto superficial e entrega uma aula sobre processo, método e alto rendimento.

“Tanto de porrada que eu tomo… eu não ligo. Aqui eu não estou apanhando. Estou evoluindo”, diz Poatan no vídeo. Antes de tudo, a frase não é provocação. Na verdade, é uma explicação direta de como se constrói um atleta de elite.

Enquanto muitos observam apenas o golpe que entra, Poatan chama atenção para o que acontece depois dele. Afinal, treino não é espetáculo. Ao contrário, é o espaço do erro, do ajuste e da repetição. Ainda assim, na lógica das redes, alguém sempre recorta o momento errado, constrói uma narrativa rasa e ignora o contexto.

No vídeo, o lutador detalha a mudança de jogo. Segundo ele, o trabalho atual é mais plantado, mais agressivo e mais consciente. Além disso, fala abertamente sobre trocar golpes com um atleta mais velho, apanhar, bater e seguir evoluindo. Ou seja, o desconforto faz parte do crescimento.

Outro ponto destacado por Poatan é a presença constante das câmeras. Por um lado, ele entende quem filma. Por outro, alerta para o risco da exposição fora de contexto. Pais, amigos e curiosos registram o treino sem compreender o processo. Ainda assim, Poatan aceita o risco. “Talvez você vai me derrubar”, diz. “Mas pode ser que seja você.”

Dessa forma, o vídeo deixa de ser apenas um recorte de treino e se transforma em manifesto. Enquanto muitos treinam para parecer prontos, Poatan treina para estar pronto. Portanto, apanhar ali não significa perder — significa aprender.

Por fim, o que viraliza não é a porrada. É a mentalidade. Em um esporte onde a pressa domina as narrativas, Poatan lembra que evolução não acontece diante da câmera, mas longe dela.

Exclusivo | Eduardo Alves celebra vitória no Jungle Fight 144 e mira o cinturão da organização

Em entrevista exclusiva ao RTI Esporte, Eduardo Alves analisou a vitória conquistada no último sábado, no Jungle Fight 144, evento realizado no BOPE, no Rio de Janeiro. Policial militar e atleta profissional de MMA, ele destacou o peso simbólico do cenário, detalhou o processo de preparação após três anos longe das competições e deixou claro o objetivo: disputar o cinturão da organização.

Vitória no BOPE carrega peso simbólico

Antes de tudo, vencer no Jungle Fight já representa um marco relevante no MMA nacional. No entanto, lutar e vencer em um cenário como o BOPE elevou ainda mais o significado da conquista.
“Só o fato de lutar no Jungle já é algo sensacional. Além disso, o evento ser realizado no BOPE me fez querer muito mais. Como policial militar, não teria cenário melhor”, afirmou Eduardo.

Com isso, a visibilidade do evento passou a gerar reflexos imediatos fora do cage. “Coisas boas já aconteceram e acredito que continuarão acontecendo”, completou.

Retorno ao MMA após três anos longe das competições

Nesse contexto, a vitória ganha ainda mais relevância quando observada sob a trajetória recente do atleta. Eduardo estava há três anos sem competir no MMA, afastado em função da rotina como policial militar e de uma sequência de lesões.
Ainda assim, quando a oportunidade surgiu, a resposta foi imediata. “Faltavam dois meses e eu aceitei na hora.”

Preparação focada nos pontos fortes

Apesar do longo período sem lutar, a parte física não foi um problema. Segundo o atleta, o trabalho físico sempre esteve em alto nível.
Dessa forma, a preparação foi direcionada para potencializar seus pontos fortes. “Focamos muito na explosão física. Eu sabia que, independentemente do adversário, teria condição de resolver no primeiro round, seja por nocaute ou finalização.”

Leitura de luta e instinto de definição

Durante o combate, o plano traçado se confirmou rapidamente. Eduardo percebeu que os golpes estavam surtindo efeito desde o início.
“Vi que ele sentiu cada chute que entrou. Então fui para cima para definir”, relatou.

Em seguida, após levar o adversário ao chão, a luta se encaminhou para o desfecho. “No ground and pound, ele tentou um leg lock, deu as costas, e o instinto finalizador falou mais alto. Consegui encaixar o mata-leão e fechar a luta.”

Jungle Fight como porta para o topo

Conhecido por revelar grandes nomes do MMA brasileiro, o Jungle Fight representa, para Eduardo, um novo patamar na carreira.
Por isso, ele não esconde a ambição. “Sem dúvida, essa vitória me coloca em outro nível. E eu quero muito mais.”

Objetivo claro: o cinturão

Por fim, o discurso é direto e sem rodeios. O foco agora é seguir evoluindo para alcançar o topo da organização.
“Quero fazer mais uma grande luta, mostrar ainda mais do meu trabalho e do meu potencial, e ganhar a oportunidade de brigar pelo cinturão do Jungle Fight.”

Assim, com método, confiança e metas bem definidas, Eduardo Alves deixa claro que a vitória no Jungle Fight 144 não é um ponto de chegada, mas o início de uma nova fase na carreira.

Brasil x Argentina: Matusalén Santos encara Rodrigo Burgo no peso pesado

O duelo entre Matusalén Santos e Rodrigo Burgo será um dos principais destaques do Fênix Fight League, marcado para o dia 21 de fevereiro de 2026, no Clube Furacão, em Pousadas, Rio Grande do Sul. O confronto coloca frente a frente atletas de Brasil e Argentina, em um clássico tradicional dos esportes de combate.

Além disso, a luta ganha ainda mais relevância por envolver dois representantes da categoria dos pesos-pesados, conhecidos pela força física e pelo ritmo intenso. Matusalén Santos chega como um dos nomes mais aguardados da noite. O brasileiro aposta na pressão constante e na agressividade para impor seu jogo desde os primeiros minutos.

Por outro lado, Rodrigo Burgo representa a Argentina e tenta estragar a festa da torcida local. O argentino se destaca pela resistência e pela experiência em confrontos duros, fatores que podem equilibrar o combate e tornar o duelo ainda mais imprevisível.

Nesse cenário, o fator emocional também entra em cena. Clássicos entre Brasil e Argentina costumam elevar o nível de competitividade, influenciando diretamente o ritmo da luta e as decisões tomadas dentro do cage.

O Fênix Fight League será realizado na Arena da Fênix, estrutura montada no Clube Furacão. A organização informou que os ingressos seguem disponíveis, com vendas pelo link na bio e também no clube Huracán, local do evento.

Por fim, a expectativa é de um combate intenso, com alto impacto técnico e grande envolvimento do público. A luta entre Matusalén Santos e Rodrigo Burgo promete ser um dos momentos mais aguardados desta edição do Fênix Fight League, no Rio Grande do Sul.

Wanderlei Silva: a fúria que virou legado no MMA mundial

Antes de o MMA se transformar em um produto global, havia homens que lutavam como se cada combate fosse uma afirmação de existência. Wanderlei Silva nunca entrou em um ringue para administrar vantagem. Pelo contrário, ele sempre entrou para impor presença, ocupar espaço e deixar claro que aquele território tinha dono.

Nascido em Curitiba e moldado na dureza da Chute Boxe, Wanderlei não foi apenas campeão. Desde cedo, tornou-se símbolo de uma era em que o medo ainda tinha endereço certo. No PRIDE, quando o Japão ditava o ritmo do MMA mundial, seu nome era pronunciado com respeito — e, muitas vezes, com apreensão.

O Cachorro Louco e a era do PRIDE

Seu estilo nunca foi sobre estética. Era sobre confronto. Cabeça baixa, guarda aberta, joelhos voando e golpes lançados sem negociação. Wanderlei lutava como se cada round fosse uma cobrança pessoal. Além disso, construiu rivalidades históricas que ajudaram a definir o DNA do MMA moderno.

Três vezes campeão dos médios do PRIDE, ele não acumulou apenas cinturões. Na prática, construiu identidade. Quando Wanderlei lutava, o evento mudava de tom. O público mudava de postura. O adversário mudava de respiração. Nesse contexto, o MMA deixava de ser apenas esporte e virava atmosfera.

Dentro do ringue, guerra. Fora dele, resenha

Por outro lado, fora do cage, o personagem dava lugar ao homem. Estive com o Wandeco em Belém, quando trabalhei no evento de MMA IIRON. Longe das luzes e do clima de guerra, encontrei alguém acessível, educado e extremamente carismático. Super gente boa. Bom de resenha. Daqueles que escutam, contam histórias e riem com facilidade.

Essa convivência ajuda a entender algo essencial: o “Cachorro Louco” nunca foi um personagem fabricado. Era um estado de espírito que se ligava quando a luta começava e se desligava quando ela terminava. Ainda assim, dentro do ringue, não havia concessão. Apenas conflito.

Com o tempo, vieram as derrotas, o desgaste físico e a transição para um UFC mais estratégico e menos permissivo ao caos que o consagrou. Mesmo assim, o legado permaneceu intacto. Porque alguns atletas colecionam vitórias. Outros constroem eras.

Por fim, Wanderlei Silva fez algo maior do que vencer lutas: ele fez o público sentir. E isso, no esporte, é raro.

Alguns campeões são lembrados pelos títulos.
Outros, pelo impacto.

Wanderlei Silva pertence ao segundo grupo.
E esse grupo é eterno.

Eugênio Veroneze se destaca como announcer no Jungle 144 realizado no BOPE

Em uma noite marcada por cinturões defendidos, guerras no cage e decisões duras, o Jungle Fight 144 também teve um protagonista fora da jaula. Não vestia luvas, não buscava finalizações, mas carregava algo igualmente decisivo: a responsabilidade de dar voz ao espetáculo. E essa missão coube a Eugênio Veroneze.

Mais do que announcer, Veroneze é alguém que entende o combate por dentro. Professor de muay thai, árbitro profissional, comentarista e também com passagens pela narração, ele não apenas anuncia lutas — ele traduz o MMA para o público.

Falo com a tranquilidade de quem já dividiu cabine com ele. Já trabalhamos juntos em transmissões de lutas, eu na narração e Eugênio Veroneze nos comentários. E é justamente nessa convivência profissional que se percebe o diferencial: preparo, leitura fina de combate e respeito absoluto pelo atleta e pelo evento.

No Jungle 144, realizado na sede do BOPE, essa bagagem apareceu com clareza. Sua apresentação foi segura, firme e, acima de tudo, humana. Cada entrada no microfone vinha carregada de empatia, noção de tempo e consciência do momento. Sem exageros. Sem estrelismo. Apenas a voz certa no instante exato.

Em um ambiente simbólico como o BOPE — onde disciplina, controle e precisão são valores centrais — Veroneze se mostrou à altura do palco. Soube elevar a emoção quando o espetáculo pedia e preservar o silêncio quando a luta falava por si.

O MMA brasileiro precisa, cada vez mais, de profissionais que saibam comunicar a luta sem deturpar sua essência. Eugênio Veroneze faz isso porque viveu o esporte em diferentes funções e entende que o microfone também é uma responsabilidade.

Na Selva, não é só quem luta que constrói o show.
Quem conduz com verdade, conhecimento e sensibilidade também deixa sua marca.

Daniel Oliveira e a DOM: quando o trabalho de base vira protagonismo no Jungle Fight

Ter cinco atletas no card de um mesmo evento não é acaso. No MMA, isso é resultado direto de método, constância e visão de longo prazo. Na próxima edição do Jungle Fight, marcada para o dia 17 de janeiro, a equipe DOM colocará cinco representantes em ação — um feito que revela muito mais sobre bastidores do que apenas sobre o que acontece dentro do cage.

À frente do projeto está Daniel Oliveira, head coach da equipe, que vê o momento como a materialização de um sonho construído ao longo dos anos.

“É fruto de muito trabalho duro, de anos. Na verdade, é um sonho que estamos vivendo acordados. Já tive o sonho de lutar ou colocar atletas no Jungle, mas eram outros tempos. O esporte evoluiu, e o Jungle se mantém até hoje como líder do mercado nacional”, afirmou.

A presença recorrente da DOM nos cards do evento não passa despercebida.

“Se você contar qual equipe tem colocado mais atletas nas últimas edições, vai ver que são nossos atletas. Isso acontece por causa da honestidade, idoneidade e qualidade no trabalho. E está só no começo”, completou.

Preparação contínua e estrutura de alto rendimento

Segundo Daniel, os cinco atletas que entram em ação no dia 17 não passaram por ciclos curtos de preparação. O trabalho é contínuo, sem interrupções.

“Os atletas já vinham se preparando há muito tempo. Não param de treinar nem no fim de ano. Eles estão sempre prontos. A gente só ajusta o jogo para cada adversário e vai cumprir a missão”, explicou.

A equipe conta com uma estrutura multidisciplinar que dá suporte completo aos atletas, algo ainda raro no MMA nacional.

“Temos preparadores físicos como Jonathan Caetano e Cláudio Pavaneli, acompanhamento com o Dr. Fernando na medicina esportiva, nutricionista Igor, ortopedista Dr. André, da clínica Pronto Trauma, entre outros profissionais. Esses atletas têm o melhor que uma equipe do Brasil pode proporcionar”, destacou.

Confiante, o treinador não esconde a ambição para o evento:

“A expectativa é 100% de vitória neste sábado, dia 17, no Jungle.”

Jungle Fight como vitrine do MMA brasileiro

Para Daniel Oliveira, o Jungle Fight segue sendo o maior trampolim do MMA nacional. Ele cita experiências pessoais para reforçar o argumento.

“O Jungle é o maior trampolim para um atleta de MMA no Brasil. Coloquei meu aluno Jhony Gregory uma vez para lutar no Jungle e, depois disso, ele foi contratado pelo PFL, o segundo maior evento do mundo”, relembrou.

Segundo ele, o papel do evento vai além da simples exposição.

“Tudo isso aconteceu graças ao Wallid e ao Jungle, que deram a oportunidade e ainda negociaram melhores condições contratuais para o meu aluno. O Wallid e o Jungle são enviados por Deus como instrumento para mudar vidas”, afirmou.

Identidade da equipe sem engessar estilos

Mesmo tendo origem no Muay Thai, Daniel deixa claro que a DOM é uma equipe de MMA em essência, respeitando a individualidade de cada atleta.

“Nossa equipe é oriunda do Muay Thai, mas somos MMA. Temos atletas de todos os estilos. Não existe estilo errado. Cada um tem seu jeito, e se está dando certo, não tem por que mudar”, explicou.

O treinador atua como orientador estratégico, não como padronizador.

“Eu incentivo cada estilo e vou dando o caminho para jogar em cima das regras e buscar a vitória, independente do jeito de lutar de cada um. Nosso jogo é completo, mas buscamos defender queda e meter a porrada — até porque é isso que vende”, disse, em tom descontraído.

Vitória como prioridade no profissional

No MMA profissional, Daniel é direto ao tratar de resultados.

“A vitória é um passo para frente. A derrota são três passos para trás. No profissional não tem espaço para derrota”, afirmou.

Ainda assim, a análise técnica permanece como ferramenta de evolução interna.

“Às vezes o atleta vence e eu não gosto da atuação. Em outras, perde e eu fico satisfeito. Mas no profissional, o mais importante é a vitória”, concluiu.

No dia 17 de janeiro, a DOM entra no Jungle Fight com um objetivo claro: transformar trabalho de base em resultado concreto, consolidando-se como uma das equipes mais ativas e estruturadas do MMA brasileiro.

Dedé Pederneiras no MMA: o treinador que formou campeões

Em um esporte marcado por performances individuais dentro do cage, a construção de grandes campeões no MMA brasileiro passa, inevitavelmente, por um nome fora dos holofotes: Dedé Pederneiras. Ex-lutador, treinador e empresário, ele foi um dos principais responsáveis pela consolidação do Brasil como potência mundial nas artes marciais mistas a partir dos anos 2000.

Fundador da Nova União, uma das academias mais tradicionais do país, Dedé esteve à frente da formação e gestão de carreiras que marcaram época no MMA internacional. Entre elas, a de José Aldo, campeão peso-pena do UFC por quase uma década, e Renan Barão, que chegou ao cinturão interino e posteriormente ao título linear dos galos da organização.

Diferentemente do modelo atual, altamente profissionalizado e amparado por grandes estruturas, o trabalho de Dedé começou em um período em que o MMA ainda buscava reconhecimento, patrocínio e organização no Brasil. Sua atuação ia além do treinamento técnico: envolvia planejamento de carreira, preparação psicológica, leitura estratégica de lutas e adaptação dos atletas às exigências do cenário internacional.

Ao longo dos anos, Pederneiras se destacou por uma abordagem focada no desenvolvimento a longo prazo, priorizando consistência competitiva, disciplina e inteligência tática. Seus atletas eram conhecidos pela capacidade de controle emocional, leitura de ritmo e eficiência estratégica — características frequentemente citadas por analistas e treinadores do circuito internacional.

Além do trabalho como head coach, Dedé também teve papel relevante como manager, intermediando negociações e auxiliando atletas brasileiros na transição para grandes eventos, especialmente o UFC, em um período em que poucos tinham acesso a esse tipo de suporte profissional.

A contribuição de Dedé Pederneiras para o MMA brasileiro não se resume aos cinturões conquistados. Seu legado está na estruturação de uma metodologia de formação, que influenciou gerações de treinadores e academias no país, ajudando a estabelecer padrões técnicos e profissionais que ainda hoje são referência.

Em um esporte que evolui rapidamente e valoriza resultados imediatos, Dedé representa uma fase fundamental da história do MMA nacional: a de quem construiu bases sólidas quando o caminho ainda era incerto. Seu nome permanece associado não apenas a títulos, mas à consolidação do Brasil entre as principais forças do MMA mundial.

Foto: Divulgação

Thalita Soares confirma favoritismo e mantém cinturão com nocaute fulminante em Paris

A campeã segue no trono. Thalita Soares voltou ao cage do Hexagone MMA Winamax Paris e fez o que campeãs dominantes fazem: resolveu rápido e sem margem para dúvidas. Na noite desta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, no Zénith de Paris, a brasileira venceu sua luta por nocaute ainda no primeiro round, mantendo o cinturão e reforçando sua hegemonia na organização.

Diante de um público atento e em clima de grande evento, Thalita mostrou frieza, leitura precisa de distância e explosão no momento certo. Após controlar os primeiros instantes do combate, a campeã encontrou a brecha e conectou o golpe decisivo, encerrando a luta de forma contundente e arrancando aplausos até dos torcedores franceses.

A vitória confirma o excelente momento da brasileira no Hexagone MMA, onde construiu um reinado baseado em performances sólidas, autoridade técnica e maturidade competitiva. Não foi apenas um triunfo — foi uma afirmação. Thalita não venceu por detalhe ou acaso: venceu por superioridade.

O evento, batizado de “A noite de todos os riscos”, entregou exatamente o que prometia, e o combate da campeã foi um dos pontos altos do card. Em um cenário cada vez mais competitivo no MMA feminino europeu, Thalita Soares segue como referência e protagonista, carregando também o peso — e o orgulho — do protagonismo brasileiro fora do país.

Com mais essa defesa de cinturão, a pergunta deixa de ser quem pode vencê-la. Passa a ser: quem está pronta para desafiar uma campeã nesse nível?

RTI Esporte
Rafael Luna
Foto: Hexagone MMA

Thalita Soares, a campeã que não pede licença

Paris, janeiro de 2026 — Em meio às luzes do Zénith Paris – La Villette, palco histórico de grandes espetáculos esportivos, o Hexagone MMA volta seus holofotes para um combate que transcende cinturões. A brasileira Thalita Soares, campeã dominante da organização, entra no cage não apenas para defender seu título, mas para reafirmar uma hegemonia construída round a round, luta a luta, longe do hype fácil e perto da excelência competitiva.

O duelo contra a desafiante Alexandra Tekenah carrega o peso simbólico dos grandes confrontos. Não é apenas campeã contra desafiante. É a medida exata entre quem governa a divisão e quem tenta romper uma ordem já estabelecida. Thalita chega como referência técnica, física e mental — uma atleta completa, fria quando precisa ser, agressiva quando o combate exige, dona de uma leitura de luta que separa boas atletas de campeãs de verdade.

A campeã brasileira construiu sua trajetória no Hexagone MMA com performances sólidas, domínio posicional e uma maturidade incomum dentro do cage. Seu reinado não se sustenta em um golpe isolado nem em decisões controversas, mas em vitórias claras, autoridade competitiva e controle emocional — virtudes raras mesmo no mais alto nível do MMA feminino.

Há, aqui, também um olhar pessoal. Tive o privilégio de narrar grandes combates de Thalita Soares, acompanhar de perto sua evolução, sentir o ritmo de suas lutas antes mesmo de o público perceber onde a história estava sendo escrita. Quando a porta do cage se fecha, Thalita não luta apenas contra a adversária. Ela luta contra o erro, contra o improviso, contra a instabilidade. Seu MMA é calculado, consciente e maduro.

O Hexagone MMA entende o peso desse confronto. Não à toa, o combate feminino ganha destaque absoluto no card, tratado como símbolo de uma nova fase da organização. A luta entre Thalita Soares e Alexandra Tekenah não é apenas uma disputa de cinturão — é a confirmação de que o MMA feminino europeu vive um de seus momentos mais fortes, com protagonismo brasileiro.

Se Tekenah busca quebrar a lógica, Thalita entra para reafirmá-la. Campeãs de verdade não defendem apenas cinturões. Defendem uma ideia de excelência. E, em Paris, Thalita Soares luta para mostrar que o trono ainda tem dona — e que ela não pretende sair tão cedo.

RTI Esporte
Rafael Luna
Crônica de quem narrou, viveu e entendeu o crescimento de uma campeã dentro do cage.
Foto: Arquivo pessoal

Jungle Fight: a fábrica de talentos do MMA brasileiro que atravessou gerações

O Jungle Fight MMA brasileiro atravessou gerações, revelou grandes nomes do MMA e se consolidou como a principal vitrine do esporte no país. Mais do que um evento, tornou-se um patrimônio da luta nacional.

Acompanhar o momento atual da organização é perceber o quanto ela evoluiu sem perder sua essência. O cage está mais bem produzido, as transmissões mais profissionais, os atletas mais completos. Mas o espírito segue o mesmo: revelar, lapidar e lançar.

Eu vivi parte dessa história de perto. Em época de Band-Rio, tive a oportunidade de transmitir eventos do Jungle Fight como repórter, sentindo o clima dos bastidores, ouvindo histórias antes das lutas, vendo sonhos sendo colocados à prova minutos antes da porta do cage se fechar. Ali, já era possível perceber quem estava pronto para voos maiores.

E muitos estavam.

O Jungle Fight foi — e segue sendo — a casa onde nomes importantes do MMA brasileiro deram seus primeiros passos em nível nacional e internacional. Charles do Bronx, antes de se tornar campeão do UFC, passou pelo Jungle. Lyoto Machida, Junior Cigano, Rodrigo Minotauro, Minotouro, Ronys Torres, Paulo Borrachinha, Amanda Lemos, entre tantos outros, têm sua trajetória ligada direta ou indiretamente ao evento. Alguns como atletas, outros como inspiração para quem vinha logo atrás.

Mais do que revelar campeões, o Jungle revelou mentalidade. Mostrou que o lutador brasileiro precisava ser completo. Que não bastava ter uma arte forte. Era preciso entender o jogo, respeitar o processo e aceitar a longa estrada até o topo.

Hoje, o Jungle Fight continua cumprindo esse papel em um cenário mais competitivo e globalizado. O MMA mudou. As exigências aumentaram. A margem de erro diminuiu. Ainda assim, o evento segue sendo um termômetro real de quem pode chegar lá. Quem se destaca no Jungle, geralmente, está pronto para desafios maiores — seja no UFC, no Bellator, no PFL ou em qualquer grande palco do mundo.

O mérito passa, inevitavelmente, pela visão de Wallid Ismail, que transformou o Jungle Fight em uma plataforma de oportunidades, muitas vezes sendo ponte direta entre o talento bruto e o mercado internacional. Com erros, acertos, exageros e acertos ousados — como todo projeto que sobreviveu ao tempo.

O Jungle Fight não vende fantasia. Vende realidade. E talvez por isso siga relevante. Porque o MMA brasileiro precisa, mais do que nunca, de lugares onde o atleta possa errar, aprender, crescer e insistir.

Enquanto existirem lutadores com fome, técnicos dispostos a formar e eventos que entendam o valor do processo, o Jungle Fight continuará sendo o mesmo de sempre: o chão onde o sonho começa a lutar.

E quem conhece o caminho sabe: quase todo grande nome passou por ali. Mesmo que nem todos percebam.

Foto: Miguel Almeida / Emanuel Sports

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