A SAF do Botafogo entrou com duas ações na Justiça do Rio de Janeiro para cobrar valores do Olympique Lyonnais, clube que também integra a rede multi-clubes liderada por John Textor. O montante total das cobranças gira em torno de R$ 745 milhões.
Os processos fazem referência a transferências financeiras realizadas entre os clubes dentro do modelo de “caixa único” (cash pooling), que já não está mais em vigor no grupo Eagle Football.
Uma das ações é tratada como título de execução extrajudicial, o que permite ao Botafogo cobrar o pagamento imediato, em até três dias. Neste caso, o valor é de 21 milhões de euros (cerca de R$ 125 milhões), referente a empréstimos e movimentações feitas em março de 2025, com base em um contrato firmado entre as partes no mês anterior.
Botafogo cobra transferências e empréstimos ao Lyon
Na segunda ação, a SAF alvinegra aponta 11 transferências realizadas ao Lyon entre março de 2024 e fevereiro de 2025, que somam aproximadamente R$ 573 milhões. Segundo a defesa, o clube francês não devolveu os valores, mesmo tendo se beneficiado dos recursos.
O Botafogo também cita um empréstimo de R$ 323 milhões obtido junto ao Banco XP, por meio de uma Cédula de Crédito Bancário, que teria sido repassado ao Lyon. O acordo previa que o clube francês arcasse com os juros da operação, estimados em cerca de 7,6 milhões de euros (R$ 45 milhões), o que, segundo a SAF, não foi cumprido.
“Embora tenha sido manifestamente beneficiado com os recursos disponibilizados e emprestados pela SAF Botafogo, o Lyon optou por não honrar com os pagamentos de quase a totalidade dos valores.” – argumenta a defesa do clube carioca.
Disputa envolve modelo financeiro do grupo Eagle
De acordo com o Botafogo, o impasse começou após conflitos internos no grupo Eagle Football, que levaram ao rompimento do acordo de gestão compartilhada de caixa entre os clubes.
Mesmo com o Lyon sediado na França, a SAF entende que a Justiça do Rio de Janeiro tem competência para julgar o caso, já que o contrato firmado entre as partes previa foro na capital fluminense.
Em nota oficial, o Botafogo afirmou que está tomando “medidas irreversíveis” e que adotará todas as ações legais necessárias para recuperar os valores.
Segundo o clube, os recursos cobrados foram fundamentais para sustentar o projeto esportivo recente, que culminou em conquistas como o Campeonato Brasileiro e a Libertadores de 2024. A SAF também destacou que o não pagamento impactou diretamente o planejamento financeiro, chegando a gerar sanções como transfer ban no fim de 2025.
O caso agora segue na Justiça e deve ter novos desdobramentos nos próximos meses.


