Antes de mais nada, a Chapecoense foi condenada pela Justiça a pagar R$ 450 mil por danos morais à família do jornalista Giovane Klein Victoria, uma das vítimas do acidente aéreo ocorrido em novembro de 2016, na Colômbia.
A Agência RTI Esporte apurou que a decisão judicial responsabiliza civilmente o clube catarinense pela tragédia envolvendo a aeronave da companhia venezuelana LaMia, que caiu próximo a Medellín e matou 71 pessoas.
Segundo a sentença, a Chapecoense teve responsabilidade ao fretar o voo utilizado pela delegação para a disputa da final da Copa Sul-Americana. O entendimento foi de que houve negligência na escolha da empresa aérea, considerada inadequada para a operação internacional realizada naquele momento.
A indenização será dividida igualmente entre os três autores da ação judicial: a esposa e os pais do jornalista. Cada um receberá R$ 150 mil por danos morais. O clube informou, por meio de nota oficial, que não comentará o caso porque o processo ainda segue em tramitação na Justiça.
Justiça aponta negligência na contratação da companhia aérea
Na decisão, o juiz destacou que a Chapecoense assumiu riscos ao optar pela companhia aérea boliviana LaMia para transportar a delegação até a Colômbia. A avaliação judicial aponta que o clube deveria ter adotado critérios mais rigorosos na contratação do serviço de fretamento.
A tragédia ocorreu na madrugada de 29 de novembro de 2016, quando a aeronave caiu nas proximidades de Medellín. O voo transportava jogadores, dirigentes, comissão técnica, jornalistas e convidados para a primeira partida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional.
As investigações realizadas após o acidente indicaram que o avião ficou sem combustível antes da queda. O caso gerou repercussão mundial e se tornou um dos episódios mais marcantes da história do esporte brasileiro.
Família buscava reparação por danos morais
A ação movida pelos familiares de Giovane Klein buscava reparação pelos danos causados pela morte do jornalista. Além da indenização por danos morais, os autores também pediam compensações materiais e pagamento de pensão mensal.
Entretanto, esses pedidos adicionais foram negados pela Justiça. O magistrado entendeu que não houve comprovação suficiente para justificar os valores requeridos na ação relacionados à dependência financeira e aos danos patrimoniais.
Giovane Klein era destaque da cobertura esportiva em Chapecó
Giovane Klein Victoria tinha 28 anos e trabalhava na cobertura esportiva da RBS TV Chapecó desde 2014. O jornalista acompanhava de perto a ascensão da Chapecoense no cenário nacional e integrava a equipe que faria a cobertura da decisão continental na Colômbia.
Tragédia marcou história da Chapecoense
O acidente mudou de forma definitiva a trajetória do clube catarinense. Além de grande parte do elenco profissional, a tragédia vitimou dirigentes, membros da comissão técnica e profissionais de imprensa que acompanhavam a delegação.
Após o episódio, a Chapecoense recebeu homenagens de clubes e entidades esportivas em todo o mundo. A Conmebol concedeu ao clube o título da Copa Sul-Americana de 2016, em reconhecimento à campanha interrompida pela tragédia.
Quase dez anos depois, os desdobramentos judiciais do caso ainda seguem em andamento. A condenação envolvendo a família de Giovane Klein representa mais um capítulo das discussões jurídicas relacionadas à responsabilização civil pelo acidente aéreo que marcou o futebol mundial.


