Os treinadores portugueses vieram, mesmo, para ficar no Brasil. Espalhados por diferentes regiões do país, eles mostram que a tendência está longe de ser apenas uma moda passageira. Pelo contrário, o impacto tem sido direto no rendimento das equipes e na organização dos clubes.
Antes de tudo, no interior de São Paulo, mais precisamente no Campeonato Paulista A2, o Sertãozinho encontrou em Ricardo Lima o nome certo para liderar o projeto em 2026. Aos 42 anos, o treinador é natural de Guimarães, na região do Minho.
Ele carrega no currículo passagens por clubes como Vitória de Guimarães e Paços de Ferreira, em Portugal, e está no futebol brasileiro com ambição clara. Nesse sentido, dentro de campo, os resultados começam a validar a aposta.
Ou seja, o Sertãozinho ocupa a sexta colocação, com duas vitórias, quatro empates e apenas uma derrota, mantendo-se firme na zona de classificação e com reais perspectivas de avançar à próxima fase do Campeonato Paulista.
Além disso, a relação de Ricardo Lima com o Brasil vem de longa data: “Tenho uma grande ligação com o Brasil. Em 2006, por exemplo, fiz um intercâmbio na Paraíba, em João Pessoa. Conheci a minha esposa no Brasil, amo o Brasil e amo os brasileiros”, conta o treinador.
Em outras palavras, essa conexão influenciou na ida para o Capital FC, no Campeonato Tocantinense: “Fizemos história. Pela primeira vez participamos da Copa do Brasil e da Copa Verde e passamos de fase nas duas competições. Foi algo que ficou marcado para sempre”, lembra.
Porém, para Ricardo Lima, o bom momento dos técnicos portugueses no exterior tem raízes claras: “É verdade que o treinador português está muito bem visto no mundo. José Mourinho abriu essas portas. Depois vieram Jorge Jesus, Abel Ferreira, Artur Jorge, Luís Castro, entre outros”, considera o técnico.
Contudo, ele ressalta as diferenças entre os contextos. “No Brasil, joga-se duas vezes por semana. Isso muda toda a logística e a preparação. As viagens são longas, há desgaste, mas é fascinante. É um futebol apaixonado, muito exigente, que obriga a atenção ao detalhe”, refere Ricardo Lima.
Time tem a permanência no Paulista A2 como meta
Do mesmo modo, apesar do bom início, o discurso é realista. “Ficar na A2 Paulista é a meta. Uma equipe que sobe precisa se consolidar. O campeonato é extremamente competitivo, mas o Sertãozinho vai ficar na A2”, garante. E o “ritual” que tem, de andar descalço no campo antes do jogo, continua a cumprir-se na relva do “Fredericão”.
Encantado com o ambiente, Ricardo não esconde a satisfação. “Fui muito bem recebido. É um clube humilde, mas estruturado, com gente corajosa e que quer crescer. Estou muito feliz e a gostar muito da cidade”, conclui o treinador.
Por fim, o que é certo é que Ricardo Lima tem o coração dividido. Uma parte num lado do Oceano Atlântico e a outra do outro lado. Um oceano que, mesmo tão grande, tem sido pequeno para uma cada vez mais ligação dos técnicos portugueses ao futebol brasileiro. Ricardo é um de muitos “aventureiros”. Outros virão.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal





