Antes de tudo, a caminhada rumo à Copa do Mundo de 2026 entra na reta final, mas ainda segue aberta. Enquanto alguns jogadores aparecem como nomes certos na lista, outros vivem uma expectativa silenciosa. Já passaram por convocações, seguem observados, porém sem vaga assegurada. Nesse grupo específico, o aspecto mental passa a ter peso decisivo no processo.
Neste estágio, talento e rendimento continuam essenciais, mas deixam de ser suficientes, na avaliação do preparador mental Dani Mozer. A comissão técnica avalia também regularidade, comportamento e capacidade de lidar com pressão. Muitas vezes, a diferença entre ser chamado ou não está fora do campo, na forma como o atleta reage às oscilações, organiza a rotina e mantém o foco competitivo ao longo da temporada.
“Quando o atleta entende que ainda está no radar, mas não tem a vaga garantida, o mental precisa assumir um protagonismo absoluto. É nesse momento que a disciplina emocional passa a ser uma ferramenta tática: ela direciona escolhas, regula a energia e sustenta o foco onde muitos acabam se perdendo”, analisa o treinador.
Estudos da ciência do esporte reforçam esse cenário. Pesquisas indicam que o equilíbrio entre preparação física e mental pode elevar o rendimento em ambientes de alta pressão. Além disso, atletas que adotam práticas regulares de controle emocional, visualização e resiliência tendem a sustentar desempenho competitivo por mais tempo.
É justamente aí que surge a oportunidade para quem ainda está fora da lista. O período pré-convocação se transforma em espaço para demonstrar maturidade, foco e profissionalismo. Isso envolve treinos extras, atenção aos aspectos físicos e cognitivos e compromisso diário com a evolução, inclusive fora da rotina habitual do clube.
Dani Mozer destaca importância de manter foco no objetivo da carreira?
Esse caminho, porém, exige renúncias. Muitos atletas reduzem viagens, compromissos sociais e exposição pública para preservar sono, alimentação e recuperação. Psicólogos esportivos e treinadores mentais passam a integrar a equipe pessoal não como luxo, mas como parte estratégica da preparação.
“Costumo dizer que a convocação começa muito antes da lista. Está na forma como o atleta organiza o dia, no tipo de treino que faz além da rotina do clube, no que escolhe abrir mão para seguir crescendo. A mente precisa agir como se o anúncio já tivesse sido feito — essa mentalidade muda tudo”, reforça Dani.
Trata-se de agir como convocado antes da convocação oficial. Pensar, treinar e se comportar como alguém que já está na Copa, mesmo sem garantias. Cada escolha fora de campo comunica algo. Cada treino e cada decisão contam pontos em silêncio.
Por fim, quem pretende chegar até 4o fim precisa alinhar corpo e mente em torno de um único objetivo. Não há espaço para distrações ou atalhos. A performance nasce de um processo contínuo, consistente e consciente. Quando a lista final for anunciada, não aparecerá apenas o nome mais técnico ou mais conhecido. Estará ali o atleta que se preparou como titular antes mesmo de ser chamado.


