Antes de mais nada, o Cuiabá decidiu não aceitar a proposta apresentada pelo Grêmio para a quitação da dívida relacionada ao percentual dos direitos econômicos do volante Pepê. O jogador de 28 anos deixou o clube gaúcho em março do ano passado para defender o Vitória.
A Agência RTI Esporte apurou que a negativa encerra qualquer tentativa de composição direta entre as partes. Assim, o caso tramita na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, onde a cobrança já está formalizada.
A oferta gremista previa o pagamento do valor de R$ 700 mil de forma parcelada, em 20 vezes mensais, sem a incidência de juros. Para o Cuiabá, por outro lado, os termos não atendem ao que o clube considera adequado, tanto pelo prazo estendido quanto pela ausência de correção financeira.
A avaliação interna foi de que aceitar o parcelamento significaria alongar uma pendência que se arrasta desde a concretização da transferência do jogador. A dívida tem origem no percentual que o Cuiabá mantinha do passe de Pepê à época da venda ao Vitória.
Ainda segundo apurou a reportagem, a diretoria do Cuiabá entende que o repasse deveria ter sido feito dentro de parâmetros mais céleres. Ou seja, sem a necessidade de mediação institucional. A falta de acordo acabou levando o clube optando pelo rito formal da CNRD.
O Grêmio, por sua vez, entende que a proposta apresentada deveria ser vista como uma tentativa de equacionar o passivo de maneira administrável. A ausência de juros acabou sendo tratada internamente como sinal de boa-fé negocial.
Ainda assim, a leitura do Cuiabá foi distinta, sobretudo em um contexto em que clubes buscam reduzir atrasos e alongamentos em obrigações reconhecidas. A CNRD, nesse cenário, tornou-se instância central para dirimir esse tipo de impasse.
Disputa financeira segue sem impacto esportivo imediato
Apesar da pendência, o conflito não gera reflexos diretos no campo neste momento. Pepê, hoje jogador do Vitória, já não pertence a nenhum dos clubes envolvidos, e a discussão se restringe ao âmbito financeiro.
Ainda assim, uma eventual decisão desfavorável pode acarretar ao Tricolor Imortal a obrigação de quitar o valor em condições diferentes das inicialmente propostas, incluindo correção monetária e eventuais encargos.
Para o Cuiabá, a estratégia é clara: manter a cobrança nos termos que considera justos e aguardar a decisão da câmara. Para o Grêmio, resta acompanhar o andamento do processo e avaliar se haverá espaço para uma nova tentativa de acordo antes do julgamento.





