Empresa de agente pede penhora de contas do Internacional por dívida milionária; saiba detalhes

Think Ball quer bloquear parte de valores das vendas de Vitão e Ricardo Mathias para cobrar comissão de negociação feita em 2021
Empresa de agente pede penhora de contas do Internacional por dívida milionária; saiba detalhes
Foto: Divulgação/ Instagram @marcelo_robalinho

Antes de mais nada, a Think Ball ingressou na Justiça com um pedido de penhora das contas bancárias do Internacional. A empresa, que atua no mercado da bola há 25 anos, pertence ao agente Marcelo Robalinho.

A Agência RTI Esporte apurou que o objetivo da empresa visa bloquear parte dos valores recebidos pelo clube gaúcho nas recentes vendas do zagueiro Vitão, ao Flamengo, e do atacante Ricardo Mathias, negociado com o Al Ahli, da Arábia Saudita.

O empresário cobra uma dívida de R$ 1,3 milhão, referente à comissão da negociação do meio-campista Patrick, vendido pelo Inter em 2021. Segundo a ação, o valor não teria sido quitado integralmente à época, o que motivou a cobrança judicial anos depois.

Conforme o pedido protocolado, a estratégia da Think Ball é garantir o recebimento da quantia por meio do bloqueio direto de receitas extraordinárias do clube. Essa movimentação, aliás, vem sendo considerada mais segura do que tentativas de execução ordinária.

As transferências recentes de jogadores abriram margem para a solicitação. No entendimento do agente, as vendas de Vitão e Ricardo Mathias configuram fatos novos. Elas permitem a adoção de medidas mais duras para assegurar o pagamento.

Ainda segundo apurou a reportagem, a ação solicita que a Justiça determine a retenção de parte dos valores antes que eles sejam totalmente utilizados pelo clube. Internamente, o Internacional acompanha o caso com atenção.

A diretoria avalia a situação como um passivo antigo e discute, junto ao departamento jurídico, os caminhos para contestar o pedido de penhora ou buscar uma eventual composição. O clube evita comentar publicamente o mérito da ação enquanto o processo está em andamento.

A cobrança ocorre em um momento sensível para o Internacional, que tem utilizado receitas de transferências para equilibrar o orçamento, reduzir endividamento e cumprir compromissos de curto prazo.

Caso expõe disputas recorrentes entre clubes e agentes

O episódio envolvendo a Think Ball e o Internacional não é isolado no futebol brasileiro. Disputas judiciais por comissões de agentes tornaram-se frequentes nos últimos anos, muitas delas relacionadas a negociações realizadas em períodos de instabilidade financeira dos clubes.

A venda de Patrick, em 2021, aconteceu em um contexto de forte pressão econômica, o que, segundo empresários do setor, costuma gerar acordos mal documentados ou pagamentos parcelados que acabam sendo judicializados posteriormente.

Para os clubes, a penhora de contas representa um risco significativo, pois pode comprometer o fluxo de caixa e o planejamento financeiro. Já os agentes defendem o uso do instrumento como forma legítima de garantir contratos firmados e valores devidos.

O desfecho do caso dependerá da análise judicial sobre a validade da cobrança e da existência de recursos efetivamente disponíveis para bloqueio. Até lá, o processo adiciona mais um capítulo à relação historicamente tensa entre clubes e intermediários no mercado da bola.

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