O MMA vive uma mudança silenciosa — porém profunda — na forma de formar lutadores. Em entrevista exclusiva, o renomado treinador Phillip Lima, referência na preparação de atletas de alto rendimento, analisou a transformação técnica e estrutural do esporte. Segundo ele, o perfil do competidor moderno mudou na origem, na mentalidade e, principalmente, no método de treinamento.
Do especialista ao atleta completo
No passado, o caminho era quase sempre o mesmo: o atleta se destacava em uma arte marcial e depois migrava para o MMA. Hoje, no entanto, o processo começa diferente. O lutador já inicia sua trajetória dentro de um sistema integrado de combate.
“Antigamente o atleta era do jiu-jitsu e migrava. Hoje essa nova geração já treina tudo o tempo todo. Eles não pulam etapas.”
Com isso, a formação deixou de ser adaptativa e passou a ser simultânea. Trocação, grappling e transições são desenvolvidos em conjunto desde a base. Como consequência, o competidor chega ao alto nível com menos lacunas técnicas e maior capacidade de ajuste durante a luta.
Além disso, o acesso à informação, à ciência do treinamento e ao intercâmbio internacional acelerou o desenvolvimento médio dos atletas.
Talento precisa de movimento
Por outro lado, Phillip Lima faz um alerta importante: talento sem estratégia de carreira pode estagnar. No cenário atual, buscar ambiente competitivo e estrutura adequada é parte do processo de evolução.
“Às vezes o cara é bom, mas está numa cidade pequena e fica limitado. Tem que querer evoluir, se mudar, buscar onde as oportunidades são maiores.”
Ou seja, não basta treinar duro. É preciso escolher bem onde treinar, com quem treinar e como planejar os próximos passos. O crescimento internacional, segundo ele, depende tanto de desempenho quanto de posicionamento profissional.
Carreira se constrói com método
Com ampla vivência no esporte e atuação direta na formação de lutadores, o treinador destaca que levar um atleta ao cenário global exige mais do que performance dentro do cage.
“Levar atleta para grandes eventos exige bagagem, parceria e planejamento.”
Na prática, o bastidor pesa — e muito. Gestão de carreira, rede de contatos e visão de longo prazo influenciam diretamente na consolidação de um nome no mercado das lutas.
O maior nome da história
Quando o assunto é legado, Phillip Lima é direto ao apontar quem mais o marcou no esporte.
“O Anderson foi brilhante. Pegava adversários de altíssimo nível e fazia parecer simples. Ele ajudou a abrir as portas do MMA no Brasil.”
O critério, portanto, vai além de cinturões e números. Envolve impacto, transformação e influência sobre gerações inteiras de lutadores.
O que mantém a chama acesa
Mesmo após tantos anos dedicados ao tatame e ao corner, a motivação segue intacta — e não está apenas na vitória, mas no processo.
“O que me motiva é ver sonhos sendo realizados. Ver atleta vivendo da luta.”
No fim das contas, enquanto o MMA evolui em ritmo acelerado, alguns fundamentos permanecem imutáveis: método, processo e visão. O resto é consequência.





