Antes de tudo, o ex-técnico do Cruz Azul, Ricardo “Tuca” Ferretti, recebeu a reportagem da Rádio Manchete para analisar o confronto contra o Flamengo. O jogo, entre o campeão da Libertadores e o campeão da Champions da Concacaf, será nesta quarta-feira, dia 10, às 14h (de Brasília), em Doha, pela Copa Intercontinental.
Atualmente, aos 71 anos, dos quais 48 anos vivendo no México, ele é profundo conhecedor do futebol local. O treinador avaliou a evolução do time que dirigiu até 2023. “O Cruz Azul, desde que saí, já investiu mais de 120 milhões de dólares em dois anos”, disse, ressaltando que o Flamengo também manteve alto nível de investimento.
Além disso, Tuca explicou o modelo tático atual do Cruz Azul, baseado em três zagueiros e variações no meio-campo. “É um time que gosta muito de posse de bola, sempre sai jogando. Se o Flamengo não pressionar o saque de meta, o Cruz Azul pode ter uma boa posse e complicar”, afirmou. Sobre o estilo defensivo, reforçou que a equipe mexicana desenha seu jogo a partir da construção curta.
Qual conselho o ex-técnico do Cruz Azul dá ao Flamengo?
Contudo, o treinador destacou que o Flamengo pode explorar lacunas específicas na saída mexicana. “Quando o Cruz Azul perde a bola, todo mundo pressiona em cima e eles deixam muito espaço atrás”, analisou. Segundo ele, esse comportamento abre campo para transições rápidas e aceleração rubro-negra. “O Flamengo, se livrar dessa pressão inicial, vai chegar com superioridade numérica.”
Ao citar nomes importantes do rival, Tuca elogiou o uruguaio Ignacio Rivero. “É um jogador que atua em várias posições, muito capaz”, pontuou, destacando que o Cruz Azul está mais apoiado no coletivo que em individualidades. O treinador reconheceu, porém, que o peso técnico do elenco rubro-negro é superior. “Não é como as individualidades que tem o Flamengo.”
O ex-comandante do time mexicano também apontou falhas recorrentes. “O Cruz Azul marca muito mal na bola parada. Sofre muito nos canteios e diagonais”, disse. “Se o Flamengo escapar da reconversão deles, vai encontrar muito espaço.” A velocidade de Bruno Henrique foi citada como fator que pode causar desequilíbrio. “Se o Flamengo livrar a pressão, ele vai ter um espaço enorme.”
Sobre como jogaria o Cruz Azul hoje, Tuca foi direto. “Eu buscaria um bloco de 45 a 50 metros, para não deixar espaço aos jogadores tecnicamente capazes do Flamengo”, explicou. Para ele, o desenho ideal evitaria duelos constantes no um contra um. “Bruno Henrique tem sprint de 36, 37 km/h. Se tiver espaço, complica.”
Tuca vê vantagem física para o Flamengo, que chegou mais cedo à capital do Catar
Ademais, o ex-treinador avaliou também o contexto físico da equipe mexicana. “O Cruz Azul foi eliminado sábado e viajou imediatamente. Vai chegar numa desvantagem física importante”, afirmou. Na comparação direta, ele foi categórico: “Eu penso que o Flamengo é favorito. Está mais preparado e tem individualidades muito mais importantes.”
Por fim, ao falar sobre eventual final contra o PSG, Tuca fez uma ponderação. “Aí o Flamengo tem que jogar muito mais como time. O PSG supera o Flamengo na individualidade”, analisou. Antes de concluir, deixou torcida pelo rubro-negro. “Sou botafoguense, mas não desejo mal ao Flamengo. Tomara que seja campeão.”




