Flamengo, Cruzeiro e Palmeiras entraram em campo pressionados não apenas pelos adversários, mas pelo contexto da Copa Libertadores da América. Vencer é obrigação. Convencer, quase um detalhe.
E é justamente aí que mora o problema.
O Flamengo, contra o Estudiantes, teve momentos de controle. Chegou a parecer um time maduro, dono do jogo. Mas voltou a repetir um velho vício: não mata quando pode.
Abriu o placar, teve chances, mas deixou o jogo escapar para um terreno mais físico, mais tenso. E, nesse cenário, voltou a sofrer.
A lesão de Arrascaeta pesa. Não só pela técnica, mas pela ausência de um jogador que organiza, respira e pensa o jogo.
O empate é útil. Mas está longe de tranquilizar.
O Cruzeiro, por outro lado, vive outro tipo de dilema.
Ainda tenta se reencontrar na temporada, flertando com a instabilidade no Brasileiro, mas encontra na Libertadores um respiro. Compete, se mantém vivo, mas ainda sem convencer.
É um time que sobrevive mais do que se impõe.
E, na Libertadores, isso pode até funcionar por um tempo. Mas cobra preço.
Já o Palmeiras segue competitivo, como de costume.
Não encanta, não sobra, mas entrega resultado. É um time que sabe jogar o torneio.
Ainda assim, já não impõe o mesmo respeito automático de antes. Precisa construir mais, sofrer mais, trabalhar mais para vencer.
E isso não é detalhe.
Até aqui, os brasileiros fazem o básico: pontuam, evitam derrotas, se mantêm vivos.
Mas a Libertadores nunca foi sobre o básico.
A ilusão dos resultados e o risco das leituras apressadas
O perigo está justamente na leitura confortável dos resultados.
Porque a tabela pode até sorrir agora, mas o desempenho cobra depois.
E cobra caro.
Flamengo, Cruzeiro e Palmeiras seguem no caminho. Mas já ficou claro: na Libertadores, caminhar não basta.
É preciso se impor.
(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte


