O foco de Raoni Barcelos não estava apenas em vencer no último sábado (25), mas em consolidar sua trajetória rumo ao topo da categoria. Após superar um susto dramático no card principal do UFC Vegas 116, realizado em Las Vegas, onde superou Montel Jackson por decisão, o carioca carimbou sua vaga no Top 15 dos pesos-galos (até 61,2 kg) e não perdeu tempo. De olho em uma ascensão meteórica, ele sugeriu um duelo que promete balançar as estruturas da divisão: um confronto 100% brasileiro contra o ex-campeão Deiveson Figueiredo. No jornalismo de combate raiz, sabemos que grandes desafios exigem grandes nomes, e como sempre digo: não tem colé-colé!
O Susto no Apex e a Consolidação no Ranking
O caminho para o ranking exigiu resiliência absoluta. Logo nos segundos iniciais contra Montel Jackson, Raoni Barcelos absorveu um susto considerável: um chute potente na linha de cintura que o levou ao solo, testando sua capacidade de recuperação diante de um adversário agressivo e mais jovem. No entanto, o veterano — que acompanho desde a época da Band-Rio e de suas grandes vitórias no Shooto — manteve a calma necessária para não permitir que o americano capitalizasse sobre o momento.
Após o susto, Raoni estabilizou a luta, utilizou seu wrestling de elite para travar o ímpeto de Jackson e dominou os rounds seguintes com quedas plásticas. O grappling sufocante foi a chave para anular a envergadura do norte-americano, que não encontrou respostas para o jogo de solo do brasileiro. A vitória por decisão dividida coroou uma sequência de cinco triunfos consecutivos, um feito que o coloca agora, por mérito, entre os 15 melhores do mundo. “Sempre soube que meu lugar era no ranking. Agora que cheguei, quero os melhores”, afirmou Raoni, reforçando que a idade é apenas um detalhe quando a técnica e o coração de campeão estão alinhados.
O Alvo: Um Duelo Brasileiro contra o “Deus da Guerra”
Com a confiança em alta e o nome gravado no Top 15, Raoni Barcelos apontou suas baterias para o topo da pirâmide. O desafio a Deiveson Figueiredo foi feito de forma respeitosa, mas com a convicção de quem busca os maiores palcos. Deiveson, ex-detentor do cinturão dos moscas e agora consolidado na categoria de cima, é um dos nomes mais temidos da organização. Um embate entre os dois seria um deleite tático para os fãs: a precisão e o volume de golpes de Raoni contra a explosão e o punch devastador do paraense.
No RTI Esporte, analisamos que esse duelo faz total sentido para o momento da divisão. O UFC sempre valoriza confrontos que definem quem está pronto para o “title shot”. Para Raoni, vencer um ex-campeão como Deiveson seria o atalho definitivo para o Top 5. Já para Figueiredo, aceitar o desafio de um veterano em fase iluminada reafirmaria sua soberania na nova categoria. É o tipo de luta que o fã brasileiro para para assistir, independentemente de quem levante o braço no final, pois o nível técnico de ambos é absurdo.
Noite de Lições para o Grappling Nacional
Enquanto Raoni celebrava a entrada no ranking e o novo desafio após o susto superado, o UFC Vegas 116 deixou lições amargas para outros ícones do jiu-jitsu mundial. Rodolfo Vieira e Marcus Buchecha sofreram reveses que mostram a evolução implacável do MMA moderno. Rodolfo, apesar de um excelente início onde quase finalizou, acabou superado pelo volume de golpes e pela movimentação superior de Eric McConico. Já Buchecha sentiu o peso da mão de Ryan Spann, sofrendo um nocaute brutal que interrompeu sua caminhada de vitórias e ligou o sinal de alerta sobre sua transição para a trocação de elite.
Esses resultados negativos dos compatriotas valorizam ainda mais a performance de Raoni Barcelos. Ele mostrou que, para vencer na elite em 2026, é preciso mesclar o chão de classe mundial com uma transição de quedas impecável e, acima de tudo, resistência mental para suportar adversidades como o susto sofrido no primeiro round. Raoni carregou o piano do Brasil em Las Vegas e agora colhe os frutos de uma dedicação que começou há décadas nos tatames do Rio de Janeiro, sempre sob a supervisão técnica do mestre Laerte Barcelos.
Conclusão: O Próximo Passo de Raoni
A trajetória de Raoni Barcelos é um exemplo de profissionalismo e paciência. Agora, com o nome oficialmente no ranking e um desafio lançado a Deiveson Figueiredo, ele deixa de ser apenas um nome perigoso para se tornar um protagonista legítimo na divisão. O cenário está montado para grandes confrontos no segundo semestre de 2026, e Raoni provou que tem “queixo” e técnica para estar lá.
Seguiremos acompanhando a resposta de Deiveson e os próximos movimentos do Ultimate. Se a luta for confirmada, o Brasil terá um dos maiores duelos domésticos da história recente da organização. Mas até lá, o torcedor pode comemorar: temos um novo e perigoso representante no topo dos galos. Afinal, no octógono, a verdade aparece no detalhe, e quem tem garra não foge da batalha. No final do dia, meu amigo, não tem colé-colé!


