Projeto Vencer Lapa: o legado social de Gustavo Careca

Grão-mestre e faixa coral de Luta Livre Esportiva, treinador usa o esporte e sua história de superação para mudar vidas no Rio de Janeiro
Gustavo 'Careca', , grão-mestre de Luta Livre Esportiva, e idealizador do Projeto Social Vencer Lapa, no Rio de Janeiro
Foto: Deive Coutinho

O esporte salvou Gustavo “Careca”(Gustavo Faray). E agora, ele faz questão de devolver. Grão-mestre e faixa coral de Luta Livre Esportiva, referência histórica da modalidade no Rio de Janeiro, Careca transformou a própria trajetória em ação concreta ao liderar o projeto social Vencer Lapa, que atende crianças na região da Lapa.

“O esporte me deu tudo. Me deu disciplina, me deu direção e me deu uma segunda chance de vida”, afirma Careca, ao explicar por que decidiu abrir as portas do tatame para quem mais precisa.

Um projeto que nasce da vivência

Atualmente, cerca de 50 crianças participam do Vencer Lapa, com aulas gratuitas de Luta Livre Esportiva. Mais do que formar atletas, o projeto busca construir valores.

“Aqui não é só aprender a lutar. É aprender a respeitar, a ter compromisso e a acreditar que é possível ir além do lugar onde você nasceu”, explica o grão-mestre.

Além disso, os resultados já aparecem. Atletas formados no projeto conquistaram títulos brasileiros, sul-americanos e mundiais, o que reforça a seriedade da metodologia aplicada.

“Quando a criança tem oportunidade e orientação, ela responde. O talento aparece, mas o caráter vem primeiro”, pontua Careca.

Resultados dentro e fora do tatame

Embora as medalhas chamem atenção, o impacto real vai além das competições. O projeto atua diretamente na formação humana, oferecendo rotina, disciplina e pertencimento.

Dessa forma, o esporte deixa de ser apenas prática física e passa a ser ferramenta de inclusão social — algo que Careca conhece bem, tanto como atleta quanto como educador.

Um testemunho de vida fora do esporte

A história de Gustavo Careca também carrega uma mensagem que ultrapassa o tatame. Transplantado há 16 anos, ele faz questão de falar publicamente sobre a importância da doação de órgãos.

“Se não fosse a doação de órgãos, eu não estaria aqui hoje. Por isso eu falo, eu repito e eu insisto: doar é dar continuidade à vida”, ressalta.

Para ele, abordar o tema é uma responsabilidade pessoal. “Alguém disse sim num momento de dor para que eu pudesse continuar vivendo”, completa.

Um legado que não se mede em medalhas

Apesar de ter formado campeões e liderado gerações, Careca sabe que seu maior título não está nos pódios.

“Se eu conseguir mudar o caminho de uma criança, já valeu tudo”, conclui.

Assim, no Rio de Janeiro, Gustavo Careca segue fazendo do esporte uma ferramenta real de transformação — com autoridade, vivência e a credibilidade de quem venceu dentro e fora do tatame.

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