O Canadá vive um dos momentos mais marcantes da sua história no futebol. A goleada por 6 a 0 diante do Catar não representou apenas a primeira vitória do país em fases finais de Copa do Mundo, mas também colocou Jonathan David num lugar reservado aos grandes nomes da história da competição.
O atacante da Juventus foi o grande protagonista da noite ao marcar um hat-trick e conduzir os canadenses a um resultado histórico. Nunca uma seleção da CONCACAF havia vencido um jogo de Copa do Mundo por uma diferença tão larga.
O triunfo superou os antigos recordes do México, que bateu El Salvador por 4 a 0 em 1970, e dos Estados Unidos, que derrotaram o Paraguai por 4 a 1 na abertura desta edição do Mundial. Além disso, o 6 a 0 tornou-se também a maior goleada de uma seleção anfitriã na história da Copa do Mundo.
Um recorde que resistiu durante 96 anos
Com os três gols diante do Catar, Jonathan David entrou definitivamente para os livros do futebol. O camisa 10 do Canadá tornou-se apenas o segundo jogador da história da CONCACAF a marcar três vezes numa única partida de Copa do Mundo.
O único que havia conseguido tal feito era o norte-americano Bert Patenaude, que marcou um hat-trick na vitória dos Estados Unidos por 3 a 0 sobre o Paraguai, ainda no primeiro Mundial da história, disputado em 1930, no Uruguai.
Curiosamente, existe uma ligação inesperada entre os dois jogadores. Assim como Patenaude, Jonathan David nasceu nos Estados Unidos, mais precisamente no bairro do Brooklyn, em Nova Iorque. Ainda bebê, mudou-se para o Haiti com a família.
Posteriormente, estabeleceu-se em Ottawa, onde cresceu e construiu a sua ligação com o futebol canadense. Vale recordar que Jonathan David já tinha deixado a sua marca na história do país ao apontar o primeiro gol do Canadá em fases finais de Copa do Mundo, no torneio realizado no Catar em 2022.
Jonathan David é nome maior da seleção anfitriã
A explosão de Jonathan David no cenário internacional está longe de ser uma surpresa. Aos 26 anos, o atacante construiu uma trajetória de grande regularidade no futebol europeu. Depois de chamar a atenção no Gent, da Bélgica, o jogador transferiu-se para o Lille, da França.
Lá, viveu os melhores momentos da carreira. Nas suas últimas três temporadas pelo clube francês, conseguiu sempre atingir ou superar a marca de 25 gols por época, demonstrando uma capacidade finalizadora de elite.
O auge aconteceu justamente em 2024/2025. Naquele que foi o melhor ano da sua carreira, Jonathan David acumulou números impressionantes: 25 gols e 13 assistências, participando diretamente em 38 gols e consolidando-se como um dos atacantes mais completos do futebol europeu.
A mudança para a Juventus representou um novo desafio e, em 2025/2026, os números sofreram uma ligeira queda. Mesmo sem repetir o rendimento avassalador apresentado na França, o atacante terminou a temporada com nove gols e cinco assistências pelo gigante italiano.
Ainda assim, a qualidade técnica, a movimentação inteligente e a capacidade de aparecer nos momentos decisivos continuam a fazer do atacante Jonathan David uma das principais referências ofensivas da sua geração.
Festa canadense mas lesão de Koné foi grave e está fora da Copa
A noite perfeita do Canadá teve, contudo, uma nota amarga. O meio-campista Koné sofreu uma lesão grave durante o encontro e deixou o campo em lágrimas, causando preocupação na comissão técnica e nos torcedores. O jogador, considerado uma das peças fundamentais do meio-campo canadense, não irá mais jogar na Copa do Mundo e, desta forma, desfalca o time.
Um Canadá que já sonha mais alto
Com quatro pontos conquistados, o Canadá assumiu a liderança do Grupo B e chega à última rodada contra a Suíça com a possibilidade real de alcançar, pela primeira vez na história, uma fase eliminatória de Copa do Mundo.
Se isso acontecer, muito será explicado pelos gols de Jonathan David. O atacante já tinha sido responsável pelo primeiro grito canadense em Mundiais. Agora, tornou-se o homem que liderou a maior vitória do país e escreveu um dos capítulos mais brilhantes da história do futebol da América do Norte.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal


