Garça voou no BOPE
A Selva voltou a rugir no lugar mais simbólico possível. O Jungle 144 não aconteceu em um ginásio qualquer. Pelo contrário, a edição foi realizada na sede do BOPE, território onde a luta carrega outro peso, outro silêncio e outro respeito. Ali, cada passo até o cage parece mais sério. Cada golpe, mais definitivo.
O Rei da Selva segue no trono
João Dantas manteve o título dos médios. Mais uma vez, mostrou frieza, experiência e domínio do cenário. Finalizou Rodolfo dos Santos nos instantes finais do segundo round e confirmou que ainda é o Rei da Selva. Foi uma atuação segura, técnica e cirúrgica. No entanto, naquela noite, o impacto do evento não se resumiu ao cinturão.
Anderson Garça e a vitória da maturidade
Enquanto os holofotes se voltavam para o topo do card, Anderson Leal, o Anderson Garça, fazia algo talvez ainda mais difícil: vencia com autoridade um nome forjado na guerra. Ceará de Aço não é apelido promocional. É identidade. Ainda assim, Garça soube exatamente como enfrentá-lo.
Já narrei lutas dos dois. Portanto, conheço o comportamento de cada um quando a porta do cage se fecha. O Ceará busca a colisão. Garça prefere a construção. E foi assim que a luta se desenvolveu. Sem pressa, sem pânico e sem excessos. Anderson Leal venceu por decisão unânime porque controlou o combate do início ao fim.
Nem sempre vence quem ruge mais alto
Não foi uma vitória barulhenta. Pelo contrário, foi uma vitória madura. Dessas que treinadores valorizam e que lutadores experientes reconhecem. Garça mostrou leitura, ritmo e inteligência de luta — algo que nem sempre vira manchete, mas que decide combates.
O Jungle 144 teve nocautes, finalizações e lutas rápidas. Teve “faca na caveira”, como pediu o campeão. Ainda assim, também teve algo menos ruidoso e igualmente decisivo: controle emocional, disciplina e estratégia.
Na Selva, nem sempre vence quem ruge mais alto.
Às vezes, vence quem sabe exatamente a hora certa de voar.


