Luan Santiago nem sempre foi “Miau”. No início da carreira, atendia pelo apelido de Baraka — e, para quem acompanhou aquela fase, havia algo diferente ali. Não era apenas ímpeto. Pelo contrário, já existiam habilidade, leitura de luta e uma agressividade que vinha acompanhada de técnica. Desde cedo, dava sinais claros de que não seria apenas mais um no circuito.
Eu acompanhei esse começo. Naquele momento, Baraka era soberano no café, dominava o ambiente e, antes mesmo do cage fechar, impunha respeito. Havia, sobretudo, confiança sem arrogância e intensidade sem descontrole. Ou seja, era um lutador que sabia exatamente o que fazia, mesmo ainda em formação. Nada daquilo era acaso — era base.
Hoje, com o nome consolidado como Luan Santiago “Miau” e um cartel de 22 vitórias e 8 derrotas no MMA profissional, o atleta segue carregando as mesmas características que o destacaram no início. No entanto, agora elas aparecem ainda mais lapidadas: agressividade, técnica e letalidade. Em pé, pressiona com combinações curtas e chutes baixos que minam a base do adversário. No clinch, controla. Já no chão, entende o tempo, estabiliza, progride e finaliza quando a oportunidade surge.
À primeira vista, o apelido “Miau” pode enganar os desavisados. Dentro do cage, porém, ele é predador. Fecha espaço, força o erro e, consequentemente, transforma pressão em definição. Por isso, suas vitórias raramente são protocolares. Em geral, são lutas que deixam claro quem comandou o combate.
Além disso, com mais de 30 lutas profissionais, Luan carrega algo que não se ensina: vivência. Ele sabe sofrer, ajustar o plano e voltar mais perigoso. Não vive de discurso, tampouco de personagem. Vive do confronto. Assim, representa uma geração que respeita o MMA como mistura de artes marciais, mas também como verdadeiro campo de batalha esportivo.
De Baraka a Miau, o nome mudou. Entretanto, a essência permanece.
A técnica evoluiu, a agressividade amadureceu e a letalidade, acima de tudo, continuou intacta.
RTI Esporte
Crônica de quem viu o começo e reconhece quando a história é real.
Foto: Arquivo pessoal


