Num futsal brasileiro que ainda luta por maior visibilidade e reconhecimento, histórias como a de Luana Bruzzo ajudam a explicar porque a modalidade resiste e cresce. Presidente do 100 Pressão Futsal, do Rio Grande do Sul, ela ocupa um dos cargos mais altos do dirigismo esportivo num meio historicamente masculino e faz disso um espaço de construção, entrega e inspiração.
Porém, a ligação com o futsal, curiosamente, não foi imediata. “Por muito tempo, confesso que não era um esporte que me chamava a atenção”, revela. A mudança começou a partir da convivência com o marido, ex-atleta da modalidade, e do envolvimento com os campeonatos amadores de uma região pequena, onde o futsal mobiliza comunidades inteiras. Foi ali que surgiu a pergunta que daria origem ao clube: por que não criar um time próprio?
Ou seja, Luana assumiu o projeto desde o primeiro dia. Ela criou o nome, o brasão, os uniformes, as redes sociais e ajudou a montar o elenco com amigos, parentes e pessoas próximas. “No começo, eu ainda não entendia muito de futsal, então minha atuação era mais voltada ao marketing e à organização.” A presença constante nos jogos, no entanto, fez nascer algo maior. A cada campeonato, crescia o envolvimento emocional e a vontade de aprender.
Com o passar do tempo, o clube ganhou dimensão e a sua atuação tornou-se cada vez mais central. A presidência surgiu como consequência natural. Além de dirigente, Luana é incentivadora, conselheira e também voz firme quando é preciso cobrar. “Sempre fui a fã número um, a psicóloga, a amiga dos jogadores e também a primeira a cobrar quando necessário.” Em momentos decisivos, chegou a investir recursos próprios para manter o projeto vivo.
“A quadra sempre foi o meu lugar de alegria”, partilha Luana
Ser mulher nesse espaço trouxe desafios, sobretudo no início. “Entrar em quadra como presidente de um time masculino ainda causa estranhamento.” Olhares desconfiados e julgamentos fizeram parte do caminho, mas nunca foram barreira. “A quadra sempre foi o meu lugar de alegria, de pertencimento.” Com o convívio, o respeito foi sendo construído com trabalho diário e seriedade.
Nesse sentido, a liderança que exerce é baseada no cuidado humano e na exigência. Para ela, o rendimento passa pelo emocional. “Quando o psicológico não está bem, o desempenho cai.” Ainda assim, faz questão de criar um ambiente de família, onde todos se sintam em casa, sem abdicar da cobrança por compromisso e amor à camisa.
Podcast também é “montra” para história do futsal
Fora das quadras, Luana também ampliou a sua voz através de um podcast dedicado ao futsal. O projeto revelou o quanto existem histórias, talentos e iniciativas que precisam ser valorizadas. Assim, entre a presidência, o trabalho social, o empreendedorismo, o podcast e a maternidade, carrega uma missão clara: mostrar que o futsal também é lugar de mulheres e que ocupar espaços é, acima de tudo, um ato de coragem.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal


