Marco Marcondes: cadê a Copa do Mundo? Na Flórida, ela ainda não chegou

Entre Fórmula 1, parques lotados e brasileiros discutindo seus clubes, o Mundial segue fora do clima nas cidades-sede
Marco Marcondes: cadê a Copa do Mundo? Na Flórida, ela ainda não chegou
Foto: Divulgação/ Instagram @gianni_infantino

Voltando a falar do Mundial nos Estados Unidos — e lá vou eu de novo — agora direto da Flórida. Rodando há alguns dias entre Orlando e Miami, duas cidades que concentram turismo, imigrantes latinos e forte presença brasileira, a sensação é a mesma de Nova York: a Copa do Mundo ainda não chegou.

Nenhuma ativação visível. Nada que salte aos olhos. Nem outdoors, nem campanhas marcantes, nem aquela avalanche de produtos oficiais que costuma anteceder grandes eventos. Um ou outro resquício das Olimpíadas de Inverno aparece porque está na televisão. Só.

O curioso é perceber como o interesse esportivo muda conforme se atravessa o país. Aqui, por exemplo, o que salta aos olhos é a Fórmula 1. Lojas com produtos oficiais, bonés e camisas das escuderias espalhados pelas ruas, filas para montar carrinhos da Ferrari na Lego. É um fenômeno visível. Há engajamento. Muito consumo. O ambiente é incrível.

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E a Copa do Mundo? Silêncio.

Talvez mais perto do evento, tudo mude. Talvez a máquina de marketing ainda esteja guardada para a hora certa. Mas, por ora, o Mundial não ocupa espaço no cotidiano dessas cidades que, em tese, deveriam respirar expectativa.

Entre brasileiros, o assunto até aparece — mas não exatamente sobre o torneio. Fala-se de estaduais, Copa Libertadores da América, Campeonato Brasileiro. Em uma mesa, vascaínos indignados com a situação de Philippe Coutinho. Em outra, botafoguenses debatendo o que esperar do time na temporada. A Copa do Mundo vira pano de fundo.

Chamou atenção como a discussão sobre Philippe Coutinho virou quase chacota entre torcedores rivais. A declaração sobre ainda sonhar com a Copa do Mundo foi recebida com ironia, especialmente diante do salário elevado e do desempenho irregular. Comentários sobre saúde mental surgem misturados a críticas impiedosas — típico ambiente de arquibancada, pouco dado à nuance.

A Copa como expectativa distante

A impressão que fica é que o futebol global ainda não invadiu o cotidiano americano fora das datas decisivas. O país vive seus próprios ciclos esportivos e só abre espaço quando o evento se impõe de fato. Até lá, a Copa do Mundo é uma promessa distante.

Indiquei nosso portal para alguns brasileiros que queriam se atualizar sobre a seleção e o possível futuro do técnico. O tema dividiu opiniões por aqui, mas essa já é outra conversa. Por enquanto, a pergunta permanece: quando a Copa do Mundo vai começar de verdade nos Estados Unidos? Porque, nas ruas da Flórida, ela ainda é apenas um anúncio no calendário.

(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte

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