O Fluminense não apenas perdeu no Maracanã. Foi superado — com justiça — pelo Independiente Rivadavia, que tratou a estreia na Copa Libertadores da América como oportunidade e não como cerimônia.
E isso diz muito mais sobre o momento tricolor do que sobre a surpresa do resultado.
O adversário chegou líder do grupo e saiu ainda mais confortável, sem se intimidar com o palco nem com o histórico recente do campeão. Jogou com ordem, soube aproveitar os erros e teve a serenidade que faltou ao dono da casa.
Ao fim, a frase de Fábio resume melhor do que qualquer análise: “mereceram vencer”.
E mereceram mesmo.
O Fluminense foi um time desconectado. Criou pouco, reclamou muito e se expôs demais. Não é um retrato isolado. Já são alguns jogos em que o desempenho cai, a intensidade diminui e as ideias parecem menos claras. Os 20 minutos finais contra o Flamengo viraram exceção — não padrão.
Um Fluminense que desaprendeu a se reconhecer
Há uma queda coletiva, mas também escolhas que confundem. O trabalho de Luis Zubeldía começa a levantar dúvidas não pela proposta, mas pela execução. Escalações que oscilam entre poupar e experimentar, sem deixar claro o que se busca.
Jogadores importantes desapareceram. Outros parecem fora de posição ou de função. O time não sustenta o meio-campo, a defesa falha em lances evitáveis e o ataque depende mais de lampejos do que de construção. Quando sai na frente, não controla. Quando sofre, não reage.
É um time que perdeu a fluidez — e, pior, a confiança.
Mais do que uma derrota
A virada sofrida em casa não é só um tropeço. É um sintoma. E sintomas, no futebol, costumam ser ignorados até virarem crise.
A torcida percebeu. Vaiou, cobrou, chamou de “sem vergonha”. Reação típica de quem se acostumou a ver mais. E viu menos. Não adianta buscar desculpas periféricas, como mudança de calendário ou desgaste pontual. O Fluminense teve tempo, teve ambiente e teve controle da própria preparação.
Faltou futebol.
O que preocupa não é perder — porque perder faz parte —, mas a forma como perdeu. Sem consistência, sem resposta e sem a identidade que, até pouco tempo, era seu maior trunfo.
Ainda há tempo para corrigir. Duas ou três vitórias mudam o ambiente, como sempre. Mas o problema não é de tabela. É de jogo.
E jogo, quando some, não se recupera no discurso.
(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte


