Lucas Paquetá é excesso ou possui o tamanho certo para este Flamengo? A pergunta, antes de mais nada, surge antes mesmo da confirmação oficial do retorno. O questionamento, aliás, provoca debates intensos no noticiário esportivo. Muito se fala do impacto técnico. Pouco se discute o simbolismo.
A volta de Lucas Paquetá ao Brasil, a princípio, é um sinal forte. Positivo. E revelador. Especialmente para os jovens que sonham com a Europa. Sempre foi assim. Chegar ao Velho Continente significava sucesso, dinheiro e seleção.
Ainda significa. Mas não é mais regra absoluta. Nos últimos anos, por exemplo, muitos jogadores tecnicamente excelentes não se adaptaram ao futebol europeu. Contudo, esbarraram em estilos engessados e também viraram peças secundárias. Foram emprestados para ligas de segunda prateleira.
O roteiro, nesse ínterim, se repete. Empresários, por sua vez, buscam retorno ao Brasil ou negociam com mercados emergentes. Estados Unidos e Ásia crescem rápido. Muito rápido. Lucas Paquetá, desse modo, entra exatamente nesse contexto. A reação da imprensa inglesa é sintomática. Incomoda.
Critica o desejo de voltar. Questiona o comprometimento com um clube que luta contra o rebaixamento. Algo impensável anos atrás. Porém, o mundo mudou. Quantas vezes clubes brasileiros perderam jogadores no meio da temporada? Incontáveis.
Nunca houve disputa possível. Euro e dólar decidiam. Clubes endividados sobreviviam vendendo atletas para pagar salários. Agora, o cenário começa a virar. Se Lucas Paquetá voltar nesta janela, será um marco. Oficial. Concreto. Gol de placa.
Quem ganha com Lucas Paquetá no Flamengo?
O Flamengo, antes de tudo, ganha. Sem discussão. O futebol brasileiro também. Lucas Paquetá é excelente jogador. Soma técnica, inteligência e versatilidade. Chega a um elenco já forte. Aumenta a competitividade interna. Atrai mídia. Movimenta o público. Chama a atenção do mercado.
E provoca, além disso, reação nos rivais. Não por acaso, vimos Gerson no Cruzeiro. A maior contratação da história do futebol brasileiro. O Palmeiras, aliás, gastou mais de 100 milhões de euros recentemente. Isso não é detalhe. É movimento.
Técnicos estrangeiros já avisaram. O Campeonato Brasileiro é o mais difícil. Muitos times competitivos. Pouca margem para erro. Antes, exportávamos jogadores. Hoje, importamos técnicos, auxiliares e diretores esportivos. Profissionalização em curso. Não seria esse um sinal de futuro melhor?
Por fim, Lucas Paquetá simboliza essa virada. Camisa vendida. Estádio cheio. Futebol em evidência. Dentro de campo, talento. Contrariando críticos, deve desfilar qualidade nos gramados. E o flamenguista, diante disso tudo, só pode fazer uma coisa. Ficar feliz.
(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte





