Mário Bittencourt saiu da presidência, mas não saiu do poder. Essa é a sensação que paira em Laranjeiras.O Fluminense tem um novo presidente. Mattheus Montenegro foi eleito com o discurso da continuidade. Continuidade essa engolida apenas por quem votou nela.
O problema é que o passado voltou rápido demais. Mário Bittencourt já voltou. Agora como diretor geral de futebol, esportes olímpicos e outras áreas. Muito poder para quem diz defender uma SAF como solução financeira. Curioso, para dizer o mínimo.
Afinal, quem quer “salvar” o clube via SAF normalmente aceita dividir poder. Ou abdicar dele. Não parece ser o caso. Os números da gestão impressionam à primeira vista. R$ 450 milhões pagos em dívidas. Receita quase triplicada.
Uma Copa Libertadores da América. Uma Recopa Sul-Americana. Dois Estaduais. Quase R$ 800 milhões arrecadados em vendas de jogadores. Ídolos repatriados, como Thiago Silva. Tudo isso é fato. Tudo isso pesa. Mas futebol não vive só de títulos. E clube não é apenas balanço contábil.
O social do Fluminense ficou aquém. Quadras carecem de melhorias. Piscinas reformadas, mas com estrutura limitada. Vestiários atualizados, porém, sem impacto real no dia a dia. O número de sócios ativos caiu. Isso também é gestão. Fica a pergunta: uma Libertadores basta para validar tudo?
Mário Bittencourt assumiu em 2019 com dívida de cerca de R$ 850 milhões. Saiu em 2025 com praticamente o mesmo valor. O time, novamente, precisa de renovação. Falta elenco competitivo. Falta ambição esportiva clara. E o sócio? Costuma ser lembrado apenas em período eleitoral.
Mário Bittencourt representa continuidade ou fachada?
Quando se fala em SAF, exemplos estão aí. O Botafogo mostrou que gestão vai além de dinheiro. Mesmo com os chiliques de John Textor, houve profissionalização. O Vasco aprendeu na dor. Pedrinho entendeu que clube grande exige gestão de longo prazo.
No Fluminense, a dúvida é outra. Mattheus Montenegro será presidente de fato? Ou apenas uma fachada para Mário Bittencourt continuar mandando? O que foi apresentado antes da eleição? Pouco se discutiu publicamente. Muito ficou nas entrelinhas.
Na última aparição de Mário Bittencourt em jogo do Fluminense, chamou atenção. Parecia dono do pedaço. A torcida aplaudia. Ou apenas seguia o roteiro? Talvez eu esteja exagerando. Talvez não. O que está claro é que o Fluminense vive um momento decisivo.
Pode virar marco de reorganização. Ou repetir erros históricos. O risco é real. A torcida quer o básico. Um time competitivo. Um clube bem administrado. Um futuro sem dívidas. Também torço para que a nova gestão dê certo. Sinceramente.
O futebol do Rio precisa de um Fluminense forte. Mas, para isso, alguém precisa, finalmente, largar o osso. É preciso deixa que Mattheus Montenegro tenha luz própria. Para o bem dele. E para o bem do Fluminense.
(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte





