O Vasco não precisa apenas de um treinador. Precisa se reencontrar. E talvez por isso o nome de Renato Gaúcho volte a ecoar com tanta força em São Januário. Não é só sobre esquema tático. Não é só sobre linha alta ou jogo reativo. É sobre identidade e comando.
É sobre olhar para o banco e sentir que há alguém capaz de sustentar o peso da camisa. Nos últimos tempos, o torcedor do Vasco tem sido obrigado a conviver com frustrações sucessivas. Técnicos chegam e saem como se o problema fosse apenas trocar a peça da engrenagem.
A engrenagem, porém, continua falhando. A gestão prometeu novos rumos, mas esbarrou na realidade financeira. O discurso encontrou um clube pressionado por dívidas, limitações de mercado e expectativas sempre gigantes.
No meio disso tudo, a torcida — que nunca abandona — tenta entender onde foi que o caminho se perdeu. Trocar o comando virou resposta automática. No entanto, estabilidade não nasce de demissões em sequência. Nasce de planejamento, respaldo e coerência.
Sem alinhamento entre diretoria, comissão técnica e elenco, qualquer treinador entra fragilizado. O Vasco precisa decidir se quer reconstrução ou atalhos. Porque atalhos têm custado caro desde a chegada de Pedrinho à presidência.
O que Renato Gaúcho pode representar?
Renato Gaúcho representa algo que vai além da prancheta. Representa liderança de grupo. Vestiário forte. Capacidade de blindar elenco. Representa alguém que sabe falar a língua do jogador e também a do torcedor.
Mas é preciso dizer: não existe salvador da pátria. Ele pode ser a faísca emocional que reacende o ambiente. Ele pode devolver confiança a um elenco que parece jogar carregando dúvidas. Pode organizar a casa enquanto os resultados não vêm.
A torcida vascaína aceita reconstrução — o que não aceita é desorganização. Se enxergar entrega, raça e comprometimento, compra o projeto. Que Renato Gaúcho venha com tempo e com verdade. Porque, no fim das contas, o desafio não é só dele. É de um clube inteiro que precisa, urgentemente, se reencontrar.
(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte





