A possibilidade de Bruno Guimarães trocar o Newcastle pelo Arsenal não movimenta apenas o mercado da bola na Inglaterra. Caso a negociação seja concretizada, o Athletico também poderá ser beneficiado financeiramente graças ao mecanismo de solidariedade da Fifa.
Revelado na base do Furacão, o volante continua gerando receitas ao clube mesmo anos após sua transferência para o futebol europeu. Isso acontece porque o regulamento da Fifa prevê uma compensação aos clubes responsáveis pela formação dos atletas.
Sempre que ocorre uma transferência internacional definitiva, parte do montante da operação é destinada às equipes que participaram do desenvolvimento do jogador entre os 12 e os 23 anos de idade.
Como funciona o mecanismo de solidariedade da FIFA?
O mecanismo de solidariedade, antes de tudo, foi criado pela Fifa para incentivar o investimento nas categorias de base. Pela regra, até 5% do valor de uma transferência internacional é reservado aos clubes formadores.
A distribuição considera o período em que o atleta permaneceu registrado em cada equipe durante sua formação. Quanto maior o tempo de permanência, maior será a participação na compensação financeira da operação.
A Fifa destina 0,25% do valor da transferência para cada temporada entre os 12 e os 15 anos e 0,5% entre os 16 e os 23 anos. A divisão é definida pelo Passaporte Esportivo do Jogador, que registra seu período de formação em cada clube.
Quanto o Athletico pode receber?
Bruno Guimarães iniciou sua formação no Athletico e permaneceu no clube até chegar ao elenco profissional. Por isso, o Furacão tem direito a uma parcela do mecanismo de solidariedade em futuras transferências internacionais do volante.
Considerando o período de formação registrado pelo clube paranaense, a estimativa é de que o Athletico tenha direito a aproximadamente 2,75% do valor total da negociação, percentual que depende da confirmação do Passaporte Esportivo do jogador.
Se uma eventual transferência para o Arsenal fosse concluída por 60 milhões de libras (R$ 414 milhões, na cotação atual), por exemplo, o clube paranaense poderia receber cerca de 1,65 milhão de libras (R$ 11,3 milhões).
Receita reforça importância das categorias de base
O mecanismo de solidariedade tornou-se uma importante fonte de receita para clubes formadores em todo o mundo. Além do retorno obtido com a venda inicial de um atleta, novas negociações internacionais podem gerar receitas adicionais ao longo da carreira do jogador.
Esse modelo recompensa os investimentos realizados na formação de jovens talentos e fortalece o papel das categorias de base no planejamento financeiro das equipes. No caso do Athletico, Bruno Guimarães representa um dos exemplos mais relevantes desse processo.
Desde que deixou o rubro-negro paranaense rumo ao futebol europeu, o volante consolidou-se entre os principais jogadores brasileiros da atualidade e passou a despertar o interesse de grandes equipes do continente.


