Mais do que uma equipe construída em torno de Haaland, o adversário da Amarelinha apresenta um modelo de jogo muito bem definido e um elenco capaz de criar dificuldades a qualquer seleção nesta Copa do Mundo.
Ataque é a grande arma dos noruegueses
Se existe um setor que explica a excelente campanha da Noruega, ele está no ataque. Haaland continua a ser a principal referência ofensiva e chega ao duelo diante do Brasil vivendo mais um grande momento.
Forte fisicamente, agressivo nos movimentos de ruptura e letal dentro da área, o atacante do Manchester City continua a ser um dos jogadores mais difíceis de marcar no futebol mundial. Mas reduzir a Noruega ao seu camisa 9 seria um erro.
Martin Odegaard é o cérebro da equipe. Atuando entre as linhas, o meia do Arsenal é responsável por acelerar praticamente todas as ações ofensivas. É dele que normalmente parte o último passe para Haaland ou para os extremos.
Nas pontas, Antonio Nusa tornou-se uma das grandes revelações do futebol europeu. Extremamente rápido e imprevisível no um contra um, o jovem costuma partir da esquerda para dentro, procurando situações de finalização ou assistências.
Já Alexander Sorloth oferece uma alternativa completamente diferente. O centroavante atua muitas vezes ao lado de Haaland ou aproxima-se dele durante o jogo, formando uma dupla extremamente forte no jogo aéreo e nas bolas longas.
Solbakken construiu uma equipe muito vertical
O treinador Stale Solbakken consolidou uma identidade muito clara para a seleção norueguesa. Na maior parte das partidas, a equipe apresenta um 4-3-3 que facilmente se transforma em 4-2-3-1 ou mesmo num 4-4-2 quando Sorloth sobe para jogar próximo de Haaland.
Ao contrário de outras seleções europeias, a Noruega aposta em um jogo vertical. Após recuperar a bola, procura rapidamente Martin Ødegaard, que acelera as jogadas em busca de Erling Haaland ou da velocidade de Antonio Nusa pelos lados do campo.
Brasil terá de controlar os espaços
A principal preocupação de Carlo Ancelotti deverá passar precisamente por impedir que Odegaard receba livre entre linhas. Se o camisa 10 encontrar espaço para pensar, Haaland torna-se imediatamente uma ameaça permanente para a defesa brasileira.
Casemiro deve voltar a ser peça-chave na proteção do meio-campo, enquanto Bruno Guimarães terá a missão de pressionar Martin Ødegaard. Já Douglas Santos e Danilo tendem a atuar de forma mais cautelosa para conter as investidas de Antonio Nusa pelos lados.
Defesa oferece oportunidades
Se ofensivamente a Noruega impressiona, defensivamente ainda apresenta fragilidades. Quando perde a posse, demora a se reorganizar e costuma deixar espaços nas costas dos laterais, além de expor a linha defensiva em transições rápidas.
Esse cenário pode favorecer o Brasil. Vinícius Júnior, Rayan e Matheus Cunha têm velocidade para explorar esses espaços, especialmente se a pressão alta de Carlo Ancelotti voltar a funcionar como ocorreu durante boa parte da campanha na Copa do Mundo.
Um reencontro que desperta memórias
O duelo também traz recordações especiais para os dois países. Foi diante da Noruega que o Brasil sofreu uma das derrotas mais marcantes de sua história recente em Copas do Mundo, em 1998, quando perdeu por 2 a 1 na fase de grupos.
Quase três décadas depois, os caminhos voltam a se cruzar em um cenário completamente diferente na Copa do Mundo. Agora, o confronto ocorre em fase eliminatória e com outro nível de maturidade das duas seleções.
O Brasil chega embalado sob o comando de Carlo Ancelotti, enquanto a Noruega vive grande fase com uma geração talentosa e futebol intenso. Mesmo com a Amarelinha como favorita, o duelo promete ser equilibrado e de alta tensão nas oitavas de final.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal


