A Seleção Brasileira Feminina ampliou o número de torcedores na última década. Segundo pesquisa da CBF com o Instituto Nexus, 41% dos brasileiros passaram a acompanhar mais os jogos da equipe no período.
O crescimento ocorre em meio à maior exposição da modalidade. Em 2019, por exemplo, a Globo transmitiu pela primeira vez a Copa do Mundo Feminina e passou a exibir amistosos da Seleção Brasileira em TV aberta.
A maior exposição, porém, ainda convive com um cenário de baixa frequência de acompanhamento. Mais da metade dos entrevistados afirmou que não acompanha as partidas da Seleção Brasileira Feminina.
Perfil do público que aumentou o acompanhamento
Além disso, o levantamento aponta diferenças entre os grupos. Entre brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos, o índice chega a 51%, mesmo percentual registrado nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Homens representam 48% desse grupo, enquanto entre os entrevistados com ensino superior o índice também alcança 48%. Na faixa etária acima dos 60 anos, 45% afirmaram ter aumentado a frequência de acompanhamento.
Na outra ponta, por exemplo, o levantamento identificou grupos nos quais a frequência de acompanhamento diminuiu. Entre brasileiros com renda de até um salário mínimo, o percentual é de 36%.
O mesmo índice aparece entre pessoas pretas e entre analfabetos ou indivíduos que sabem apenas ler e escrever. Entre moradores do Nordeste, são 35%. O percentual cai para 34% entre entrevistados com ensino médio e também entre as mulheres.
Futebol feminino ainda cobra maior reconhecimento
A pesquisa também mediu a percepção dos brasileiros sobre o espaço ocupado pelo futebol feminino. Para 59% dos entrevistados, a modalidade ainda não recebe o apoio e o reconhecimento que deveria ter.
Desse total, 32% reconhecem que houve aumento no reconhecimento, mas consideram que o avanço ainda não foi suficiente. Outros 27% avaliam que o futebol feminino continua distante do nível de apoio considerado adequado.
A percepção de apoio insuficiente chega a 68% entre pessoas com ensino superior e renda acima de cinco salários mínimos. O índice é de 63% entre brancos, pardos e moradores do Sul, enquanto 61% dos entrevistados de 25 a 40 anos têm a mesma percepção.
Exposição será importante antes da Copa de 2027
O cenário ganha relevância porque o Brasil será sede da próxima Copa do Mundo feminina, em 2027. A competição representa uma oportunidade de ampliar o contato da população com a Seleção e com o futebol feminino em um período de maior exposição da modalidade.
A televisão aberta permanece entre os principais meios para alcançar novos públicos. Segundo dados divulgados pela CBF, as quartas de final do Brasileirão Feminino de 2026 alcançaram 29,5 milhões de telespectadores únicos na TV Globo.
A entidade também informou que o número de transmissores de suas competições femininas dobrou em dois anos, passando de quatro para oito. O movimento amplia a disponibilidade de partidas e cria novas possibilidades de contato com torcedores.
Levantamento ouviu 2.006 pessoas
A pesquisa do Instituto Nexus foi realizada entre 15 e 24 de agosto e ouviu 2.006 brasileiros com 16 anos ou mais, distribuídos pelas 27 Unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Os números mostram um cenário dividido: 41% dos brasileiros passaram a acompanhar mais a Seleção feminina, mas mais da metade ainda não vê seus jogos. A Copa do Mundo de 2027, no Brasil, pode ampliar a exposição da equipe e da modalidade.


