A “Arte Suave” brasileira deu um show de eficiência e plasticidade no octógono do Meta Apex, em Las Vegas, nesta quinta-feira (2). O UFC BJJ 7 entregou exatamente o que prometia: combates decididos no detalhe, técnica refinada e uma hegemonia verde-amarela que resultou na conquista de dois novos cinturões para o país. Com um card focado exclusivamente no grappling e transmitido pelo Canal Combate, o evento registrou a impressionante marca de cinco finalizações em oito lutas, provando que quando o assunto é solo, meu amigo, não tem colé-colé!
A Queda do Rei e a Ascensão de Lucas Valente
A co-luta principal da noite era uma das mais aguardadas pela comunidade das lutas. O duelo doméstico entre o atual campeão Carlos Henrique (CH7) e o desafiante Lucas Valente entregou drama e técnica de altíssimo nível. Carlos Henrique tentou impor sua envergadura, mas o mineiro Lucas Valente mostrou por que é bicampeão mundial.
Após dois rounds de muito estudo e transições rápidas, Valente encontrou a brecha necessária no terceiro assalto. Com um bote certeiro, ele ajustou uma chave de pé que forçou a desistência de CH7, sagrando-se o novo campeão peso-leve da organização. É uma troca de guarda importante na categoria, elevando Valente ao status de homem a ser batido na divisão até 70,3 kg.
Rebeca Lima: A Nova Rainha do Peso-Pena
No setor feminino, a consagração veio para o Rio de Janeiro. Rebeca Lima enfrentou a duríssima Aurélie Le Vern em uma disputa de cinturão que testou a resiliência de ambas. Rebeca, de apenas 23 anos, utilizou sua base sólida e agressividade no jogo de passagens para dominar as ações.
Diferente de outras lutas decididas por finalizações rápidas, este combate foi uma guerra estratégica de 15 minutos. Ao final, os juízes foram unânimes: Rebeca Lima venceu por decisão unânime, conquistando o cinturão peso-pena. A vitória consolida a carioca como a principal força do grappling feminino no UFC BJJ, mantendo a tradição das finalizadoras brasileiras no topo do mundo.
A Experiência de Vagner Rocha e o Domínio de Andrew Tackett
Na luta principal da noite, o veterano Vagner Rocha (43 anos) tentou o impossível contra o atual campeão Andrew Tackett. Rocha trouxe toda a sua experiência do ADCC para o tatame, fazendo um jogo de pressão e controle que dificultou as ações do americano nos primeiros minutos.
No entanto, a juventude e o condicionamento físico de Tackett prevaleceram ao longo do combate. Com transições mais rápidas e tentativas constantes de finalização, o campeão manteve o controle do centro do octógono. Andrew Tackett venceu por decisão unânime, mantendo o cinturão peso-meio-médio, mas Vagner Rocha saiu aplaudido pela performance valente contra um adversário quase vinte anos mais jovem.
O “Exército” Brasileiro e as Finalizações da Noite
O card ainda reservou vitórias importantes para os outros brasileiros escalados. No peso-pesado, o gigante Patrick Gaudio estreou com o pé direito (ou melhor, com a mão ajustada), finalizando Declan Moody e mostrando que sua técnica de faixa-preta é um diferencial na categoria até 120 kg.
Outro destaque foi Raphael Ferreira, que não deu chances para Kenzo Biyong e garantiu mais uma finalização para o cartel brasileiro. Já o “showman” Renato Canuto fez uma luta estratégica contra Yonathan Cardenas, vencendo na decisão dos juízes e retomando o caminho das vitórias na organização.
Conclusão: O Saldo de Las Vegas
O UFC BJJ 7 termina com um saldo extremamente positivo para o Brasil: dois novos cinturões (Lucas Valente e Rebeca Lima), vitórias dominantes e a reafirmação de que o país segue exportando os melhores grapplers do planeta. Enquanto o mundo assiste à evolução de modalidades como o boxe — com o brilho recente de Cris Cyborg e Pedro Conceição — a base de tudo permanece firme.
Para o fã do RTI Esporte, a lição de ontem foi clara: o jiu-jítsu moderno exige não apenas força, mas um QI de luta elevadíssimo para ajustar posições sob as regras do grappling profissional. O Brasil dita o ritmo, Las Vegas reconhece o talento e a gente segue aqui, acompanhando cada chave de braço. No Meta Apex, meu amigo, o ajuste é no detalhe e a vitória é de quem não hesita. Porque, como você já sabe: não tem colé-colé!


