Antes de tudo, pressão e a busca constante por resultados em uma partida de futebol pode causar danos à saúde emocional de atletas e de seus familiares. Distante dos gramados, a psicanalista Valéria Gonçalves busca o método MR3, de Lulinha Tavares, do Corinthians, para auxiliar pessoas que estão inseridas no mundo da bola.
A saber, o método de trabaho da profissional, o MR3, oferece um suporte multidisciplinar, que engloba treinadores mentais, psicanalista, treinador cognitivo, gestão de redes sociais e assessoria de imprensa para atetas. Valéria tem atuação direta com mulheres que estão ao lado de jogadores de alto rendimento.
A busca por um equilíbrio emocional tem ganho força em diversas competições. Neste contexto vale a pena destacar a Major League Soccer, dos Estados Unidos, que oferece suporte psicológico a jogadores, esposas, namoradas e filhos.
“A mulher do jogador de futebol vive uma realidade que muita gente não imagina. São mudanças constantes de cidade ou país, isolamento, pressão pública, exposição nas redes e uma rotina familiar toda baseada no desempenho do companheiro. Isso tudo impacta a saúde emocional. E é aí que meu trabalho entra: oferecer um espaço seguro de escuta, fortalecimento e reconstrução da identidade”, afirma a psicanalista.
Valéria Gonçalves aponta solidão, ansiedade e perda da identidade atreladas ao futebol
A rotina de viagens e as incertezas relacionadas à permanência ativa em um trabalho pode causar impactos em jogadores e familiares. Conforme Valéria Gonçalves, muitas companheiras de atletas alegam sentimentos de solidão, ansiedade e até perda da identidade.
“Elas não são apenas acompanhantes da carreira do outro. Elas também têm sonhos, dores, memórias, histórias. Muitas estão lidando com maternidade sozinhas, outras abriram mão de projetos pessoais por conta da rotina do futebol. Meu papel é ajudá-las a resgatar quem são, além do rótulo de ‘esposa de jogador’”, pontua.
O foco do trabalho dentro do método MR3 e a abordagem humanizada trouxe resultados benéficos para as pacientes de Valéria Gonçalves. Logo, o fortalecimento emocional das esposas contribui para um maior desenvolvimento do atleta no campo de futebol.
“Futebol não é só força física, técnica e tática. Há muito sofrimento psíquico por trás de uma má fase ou de uma lesão. E esse sofrimento muitas vezes começa ou se intensifica em casa. Por isso, cuidar da base emocional do atleta passa também por acolher quem está ao lado dele todos os dias.”, concluiu.
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