Primeiramente, quando o futebol é disputado em altitude elevada, como acontece hoje, 9 de setembro. com a Seleção Brasileira, fatores técnicos e físicos pesam diretamente no rendimento dos atletas. A ciência esportiva estuda o tema há décadas e já mostrou impacto tanto na parte física dos jogadores quanto no comportamento da bola em campo.
Para explicar esse desafio, Carlos Alberto Lancetta, professor de Educação Física e ex-preparador físico da Seleção Brasileira, em entrevista excluiva para a Rádio Manchete. Com experiência em competições de alto nível na altitude, ele detalhou como funciona o processo de adaptação. “A adaptação fisiológica acontece em torno de 15 a 21 dias, ou seja, de duas a três semanas”, afirmou.
Segundo Lancetta, nem todos os atletas reagem da mesma forma, mas há recursos que ajudam na preparação. “É importante um processo medicamentoso à base de ferro, sulfato ferroso, para melhorar a produção de hemoglobinas, que levam oxigênio dos pulmões até o músculo solicitado no esforço físico”, explicou.
O professor recordou que os estudos começaram a ganhar força após os Jogos Olímpicos do México, em 1968. “As consequências daqueles que não fizeram uma adaptação à altitude foram alarmantes e desanimadoras. Depois, um congresso em Fontainebleau, na França, reforçou a importância desse processo para modalidades de alta exigência aeróbica”, destacou.
Lancetta citou nomes que marcaram a preparação do Brasil. “O professor Lamartine Ferreira da Costa, o professor Manuel Gomes Tubino e o professor Cláudio Coutinho foram fundamentais para que a Seleção chegasse forte à Copa do Mundo de 1970 no México”, disse. “Naquele Mundial, o Brasil foi considerado o time melhor preparado fisicamente na altitude.”
O que Lancetta acha da estratégia do Brasil de chegar a El Alto na hora do jogo?
Ele também explicou as mudanças nas estratégias atuais. “Hoje em dia já existem câmeras hiperbáricas em centros de treinamento. O atleta treina no nível do mar sem perder intensidade e dorme nessas câmeras, acelerando a adaptação à altitude”, afirmou.
Sobre a escolha da Seleção Brasileira de chegar apenas horas antes da partida contra a Bolívia, Lancetta avaliou como uma medida adequada. “O método mais indicado no momento é viajar no nível do mar e só chegar ao local no dia do jogo, para reduzir os efeitos devastadores da altitude”, analisou.
Por fim, o preparador relembrou outra experiência marcante. “Na Copa do Mundo de 1986, com a seleção do Iraque, fizemos a adaptação em cidades mais altas e depois descemos para a Cidade do México. Não tivemos problemas, os jogadores estavam perfeitamente adaptados”, concluiu. “A dificuldade é grande, mas acredito que o Brasil adotou a estratégia correta e pode alcançar um bom resultado.”


