Há histórias que lembram uma regra simples do esporte, muitas vezes esquecida: não existe tarde demais para começar. Existe apenas o primeiro passo. A brasileira Stéfani Patz, por exemplo, deu o seu em julho de 2025.
Meses depois, já celebrava uma vitória improvável no Open de Portugal, etapa do Circuito Ibérico de jiu-jitsu, logo na primeira competição da carreira. A conquista, na categoria absoluto, não estava nos planos. Pelo contrário.
“Entrei na competição com o objetivo de experimentar algo novo”, conta. O ouro surgiu como consequência inesperada de um processo recente, intenso e profundamente pessoal. “Foi uma mistura de emoções, alegria, realização, mas também muito nervosismo. Acima de tudo, foi superação.”
Aos 28 anos, Stéfani Patz iniciou-se numa modalidade onde muitos começam ainda crianças. Fê-lo depois de um problema de saúde que a afastou da atividade física, numa fase de recomeço. E encontrou no jiu-jitsu um espaço pouco comum, onde o começo tardio pesa menos do que a vontade.
“No tatame, treinam juntos adolescentes, adultos, pessoas com mais experiência. Isso mostra que nunca é tarde para começar, nem para competir”, explica.
O primeiro contacto surgiu de forma quase inesperada, durante férias no Brasil. Entre uma aula de culinária e uma de defesa pessoal, escolheu a segunda. Bastou uma experiência para mudar o rumo. Dias depois, já treinava diariamente numa academia local: na escola “Rilion Gracie Santo Ângelo”.
“Senti-me acolhida desde o primeiro dia”, conta a atleta
De regresso a Portugal, a decisão estava tomada. Antes mesmo de chegar a Coimbra, procurou um novo espaço. Encontrou-o no Coimbra MMA e ficou. “Senti-me acolhida desde o primeiro dia.” Hoje, o jiu-jitsu ocupa um lugar central na sua rotina, dividida entre o tatame e a exigência académica.
Stéfani Patz é doutoranda na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, um percurso marcado por horas de estudo solitário. O esporte surge como contraponto. “Ajuda-me a desligar, a movimentar o corpo e a conviver. Cria um equilíbrio.”
Futuro? Será construído passo a passo com “humildade e gratidão”
Apesar do início recente, a evolução tem sido rápida. Ainda faixa branca, já soma três graus, sinais de progressão dentro da modalidade. Mesmo assim, prefere manter os pés assentes no chão. “Não esperava chegar tão rápido aqui. Encaro tudo com humildade e gratidão.”
O futuro, garante, será construído com a mesma lógica com que começou: passo a passo. E com uma certeza que a própria trajetória ajuda a reforçar. O jiu-jitsu e o esporte podem chegar tarde, mas nunca chegam tarde demais e há sempre novas portas e aventuras prontas para se fazerem no mundo esportivo e na vida.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal


