Thalita Soares, a campeã que não pede licença

Thalita Soares Hexagone MMA, campeã brasileira defendendo o cinturão em Paris
FOTO: Arquivo pessoal

Paris, janeiro de 2026 — Em meio às luzes do Zénith Paris – La Villette, palco histórico de grandes espetáculos esportivos, o Hexagone MMA volta seus holofotes para um combate que transcende cinturões. A brasileira Thalita Soares, campeã dominante da organização, entra no cage não apenas para defender seu título, mas para reafirmar uma hegemonia construída round a round, luta a luta, longe do hype fácil e perto da excelência competitiva.

O duelo contra a desafiante Alexandra Tekenah carrega o peso simbólico dos grandes confrontos. Não é apenas campeã contra desafiante. É a medida exata entre quem governa a divisão e quem tenta romper uma ordem já estabelecida. Thalita chega como referência técnica, física e mental — uma atleta completa, fria quando precisa ser, agressiva quando o combate exige, dona de uma leitura de luta que separa boas atletas de campeãs de verdade.

A campeã brasileira construiu sua trajetória no Hexagone MMA com performances sólidas, domínio posicional e uma maturidade incomum dentro do cage. Seu reinado não se sustenta em um golpe isolado nem em decisões controversas, mas em vitórias claras, autoridade competitiva e controle emocional — virtudes raras mesmo no mais alto nível do MMA feminino.

Há, aqui, também um olhar pessoal. Tive o privilégio de narrar grandes combates de Thalita Soares, acompanhar de perto sua evolução, sentir o ritmo de suas lutas antes mesmo de o público perceber onde a história estava sendo escrita. Quando a porta do cage se fecha, Thalita não luta apenas contra a adversária. Ela luta contra o erro, contra o improviso, contra a instabilidade. Seu MMA é calculado, consciente e maduro.

O Hexagone MMA entende o peso desse confronto. Não à toa, o combate feminino ganha destaque absoluto no card, tratado como símbolo de uma nova fase da organização. A luta entre Thalita Soares e Alexandra Tekenah não é apenas uma disputa de cinturão — é a confirmação de que o MMA feminino europeu vive um de seus momentos mais fortes, com protagonismo brasileiro.

Se Tekenah busca quebrar a lógica, Thalita entra para reafirmá-la. Campeãs de verdade não defendem apenas cinturões. Defendem uma ideia de excelência. E, em Paris, Thalita Soares luta para mostrar que o trono ainda tem dona — e que ela não pretende sair tão cedo.

RTI Esporte
Rafael Luna
Crônica de quem narrou, viveu e entendeu o crescimento de uma campeã dentro do cage.
Foto: Arquivo pessoal

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