Marco Marcondes: vitória que não esconde os problemas do Flamengo

Em noite de dois jogos dentro de um só, reação rubro-negra expõe fragilidades, enquanto o Santos mostra sinais de organização
Marco Marcondes: vitória que não esconde os problemas do Flamengo
Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo

O Flamengo venceu, mas não convenceu — e talvez esse seja o ponto central de uma noite que disse mais do que o placar. O primeiro tempo foi um retrato fiel de um time ainda impactado pela derrota recente. Vaiado com justiça, o Flamengo foi lento, previsível e desconectado.

À exceção de Guillermo Varela, pouco se salvou. O fantasma do jogo contra o Bragantino rondava o Maracanã. Do outro lado, o Santos fez exatamente o que se esperava de um time bem treinado por Cuca: compactou-se em duas linhas, fechou espaços e esperou o erro.

Cuca armou o time para jogar por uma bola. E quase bastou. O segundo tempo começou como continuação do plano santista. Num contra-ataque direto, Lautaro Díaz aproveitou a falha de Léo Ortiz e abriu o placar com frieza.

Era o cenário perfeito para quem queria controlar o jogo sem a bola. O problema é que o jogo não ficou só no campo. O gol de empate, corretamente anulado pelo VAR, transformou o ambiente em um espetáculo paralelo.

Jogadores cercando Anderson Daronco, torcida reagindo ao telão e, no auge do absurdo, uma espécie de “aula” em campo para explicar a decisão. Oito minutos para validar o óbvio. A arbitragem brasileira consegue o improvável: mesmo quando acerta, se complica.

Entre a reação e os velhos vícios

A partir daí, o Flamengo foi mais na imposição do que na organização. Mexidas deram energia, não necessariamente padrão. E bastou. O Santos, que até então sustentava sua estratégia, começou a ceder. A virada veio no volume, não na construção.

O pênalti, convertido por Jorginho, foi mais um capítulo da novela do VAR: demora excessiva para uma decisão clara, interferência que parece mais ritual do que necessidade. No fim, o jogo ficou aberto, caótico, quase sem controle.

Poderia ter terminado com mais gols para ambos os lados, o que só reforça a leitura de uma partida sem domínio pleno de ninguém. O Flamengo do segundo tempo mostra potencial, mas também evidencia que a escalação inicial ainda não encontrou equilíbrio.

Samuel Lino, por exemplo, ainda parece buscar ritmo e função. Já o Santos, mesmo derrotado, deixa a sensação de um time mais organizado do que em outros momentos recentes. Mas, ainda está longe de apresentar o futebol ideal.

No fundo, o jogo escancara três verdades: o Flamengo ainda está longe do ideal, o Santos começa a se estruturar e a arbitragem segue sendo um problema que atravessa qualquer análise. Aliás, falamos sobre isso outro dia.

Com um calendário distorcido pela Copa do Mundo, o Campeonato Brasileiro tende a se dividir em dois. Quem não pontuar agora, corre risco depois. E, no futebol brasileiro, quase sempre é o depois que cobra mais caro.

(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte

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