Palmeiras e Flamengo, os dois principais favoritos brasileiros na Copa Libertadores da América, venceram. E ainda assim saíram de campo com mais perguntas do que respostas.
O Palmeiras fez 2 a 1 no Sporting Cristal, em casa, mas longe de qualquer ideia de controle. Abriu o placar com Murilo, sofreu o empate em um belo gol de Juan Gonzáles e só resolveu nos minutos finais, com pênalti convertido por Flaco López.
Não foi apenas difícil. Foi desconfortável.
Há algo que não encaixa completamente no time de Abel Ferreira neste momento. A equipe oscila mais do que o habitual, sofre em jogos que antes controlava e, mesmo vencendo, deixa a sensação de que está sempre à beira de perder o domínio.
Lidera o grupo, é verdade, mas com um futebol que pede revisão. E com o treinador às voltas com punições no cenário doméstico, o desgaste não é apenas físico. É, de novo, fora das quatro linhas.
Do outro lado, o Flamengo venceu o Independiente Medellín por 4 a 1, no Maracanã, com autoridade.
Ou quase.
O domínio que não se traduz em tranquilidade
Porque o placar elástico esconde uma velha questão. O Flamengo criou muito, triangulou bem, abriu o marcador cedo com Lucas Paquetá, mas desperdiçou uma quantidade excessiva de chances. E no futebol, como se sabe, o desperdício cobra.
Cobrou quando o time, em uma falha evitável, permitiu o empate em praticamente o único lance ofensivo do adversário, finalizado por Yony González. A resposta veio rápida, com Giorgian De Arrascaeta encontrando Bruno Henrique para o segundo gol.
Depois, o próprio Bruno Henrique ampliou e Pedro fechou a conta.
Resultado confortável. Atuação, nem tanto.
Vitória não encerra debate
O Flamengo foi superior do início ao fim, mas ainda distante de uma atuação madura. Falta transformar volume em eficiência, controle em tranquilidade. Porque contra adversários mais qualificados, esse tipo de oscilação não costuma ser perdoado.
No fundo, Palmeiras e Flamengo viveram a mesma noite por caminhos distintos: venceram, lideram e convencem apenas parcialmente.
E há um detalhe que passa quase despercebido: o padrão de arbitragem. Mais permissivo, mais físico, menos intervencionista. Algo que os clubes brasileiros precisarão entender rapidamente — ou continuarão reclamando enquanto o jogo segue.
No fim, a Libertadores não perdoa ingenuidade.
E vitória, sozinha, não resolve tudo.
(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte


