Atualmente sem clube, Renato Gaúcho volta a ter seu nome ligado ao Atlético-MG como possível substituto de Jorge Sampaoli. A movimentação, no entanto, resgata uma das passagens mais polêmicas da história recente do clube mineiro.
Em janeiro de 1994, o Atlético-MG acertou a contratação de Renato Gaúcho por cerca de US$ 700 mil, com contrato de 12 meses. A chegada do atacante causou surpresa e dividiu opiniões, principalmente pelo histórico de rivalidade com o clube.
Mesmo assim, a diretoria apostou no impacto técnico e midiático do jogador. A torcida, empolgada com o projeto da chamada “Selegalo”, foi ao aeroporto recepcioná-lo. O coro “Renato, doidão, teu lugar é no Galão” simbolizava a tentativa de virar a página.
Provocações que marcaram o passado
Antes de vestir a camisa do Atlético-MG, Renato Gaúcho acumulava episódios de provocação direta ao clube. Em 1987, por exemplo, defendendo o Flamengo, marcou o gol que eliminou o Galo na semifinal do Campeonato Brasileiro e provocou a torcida alvinegra.
Anos depois, atuando pelo Cruzeiro, em 1992, Renato Gaúcho voltou a cutucar o rival e chegou a declarar publicamente que jamais vestiria a camisa do Atlético-MG, A história, porém, mudou diante da proposta financeira e do projeto apresentado.
Indisciplina e frustração em campo
Dentro de campo, a expectativa não se confirmou. Após 37 jogos e 10 gols marcados, Renato Gaúcho foi demitido em dezembro de 1994, oficialmente por atos de indisciplina. O Atlético-MG vivia um momento instável e não conseguiu transformar o elenco estrelado em resultados.
“Na primeira reunião com o plantel, Levir (Culpi) falou que o Renato (Gaúcho) estava na reserva, ele perguntou ‘estou na reserva?’, e o Levir disse que sim”, revelou Luis Eduardo Quadros, que foi um dos contratados pelo Galo, antes de prosseguir:
“Ele pegou as coisas dele, levantou, deu tchau para todo mundo e foi embora. O Renato tinha uma personalidade muito forte dentro e fora de campo. Foi embora da concentração e não jogou mais no Galo”, contou o ex-zagueiro em entrevista à Agência RTI Esporte.
Selegalo virou decepção
Após uma temporada ruim em 1993, o Atlético-MG investiu pesado e montou um time recheado de nomes conhecidos. Além de Renato Gaúcho, jogadores como Léo Percovich, Luiz Carlos Winck, Luís Eduardo, Adilson Batista, Darci, Neto, Éder Aleixo e Gaúcho foram contratados.
O desempenho, porém, ficou muito abaixo do esperado. A diretoria optou pela troca no comando técnico, trazendo Levir Culpi, que acabou colocando Renato no banco antes da saída definitiva, para o lugar de Valdir Espinosa.
“A diretoria montou uma verdadeira seleção. O Galo contratou jogadores que eram cobiçados por clubes do eixo Rio-São Paulo. Mas, infelizmente, não deu certo.”, finalizou Luís Eduardo, que atualmente trabalha nas categorias de base do Grêmio.
Um passado que pesa no presente
Agora, com Renato Gaúcho novamente no radar, a lembrança da passagem conturbada volta à tona. Ídolo em outros clubes e figura central no futebol brasileiro, ele segue sendo um nome que divide opiniões — especialmente em Belo Horizonte.





