Ante de mais nada, Oscar Schmidt, lenda do basquete mundial que morreu nesta sexta-feira, 17, sempre transitou com naturalidade entre grandes palcos e grandes torcidas. No Brasil, teve o privilégio raro de vestir as camisas de Corinthians e Flamengo, e construiu uma relação de amor com os clubes.
Campeão brasileiro de basquete em 1996 pelo Corinthians, Oscar Schmidt guardava forte identificação com a “Fiel”. O impacto da relação com a torcida, segundo ele, ia além das quadras e criava uma atmosfera única, capaz de influenciar até o desempenho coletivo.
Corinthians e a força da “Fiel”
A passagem pelo clube paulista marcou profundamente o ex-jogador. Em diferentes entrevistas, ele destacou o envolvimento da torcida mesmo em momentos em que o futebol do clube não vivia grande fase.
“Quando o futebol estava ruim, eles vinham torcer pelo basquete. Eu ganhei o Campeonato Brasileiro e fomos terceiro no ano seguinte. Joguei só dois anos. Se jogasse mais, ia ganhar mais. Jogar no Corinthians é diferente, cara!”, disse em entrevista ao podcast Alambrado Alvinegro antes de prosseguir:
É que nem jogar no Flamengo. Só que o Flamengo acaba com tua carreira, se bobear. Mas o Corinthians, não! Nós somos propriedades dos torcedores. Foi uma emoção grande jogar no Corinthians. Foi demais”, lembrou Oscar Schmidt.
Mudança de lado e ruptura emocional
Antes de vestir a camisa do Corinthians, Oscar Schmidt se declarava santista. No entanto, a ausência de projetos sólidos do Santos no basquete contribuiu para uma mudança de vínculo emocional ao longo da carreira.
“Tanto que eu era santista. O Santos nunca fez p* nenhuma pelo basquete. Não havia estrutura e nem investimento. Eu fui campeão pelo Corinthians. Dá para torcer pelo Santos? Não dá. Sem dúvida (virei corintiano)”, afirmou o ex-jogador.
Flamengo e o peso da pressão
Se no Corinthians encontrou pertencimento, no Flamengo encontrou outro tipo de ambiente: mais exigente, mais instável e, segundo ele, mais arriscado para a carreira. Ao comentar sua passagem pela Gávea, Oscar foi categórico ao comparar os dois gigantes do esporte brasileiro.
“O Flamengo acaba com tua carreira, se bobear”, resumiu sua percepção sobre a intensidade da pressão da torcida e diretoria rubro-negra, onde resultados imediatos e cobrança constante fazem parte do cotidiano.
Da Europa ao retorno decisivo
A decisão de retornar ao Brasil também foi influenciada por frustrações no exterior. Após passagem pelo Valladolid, da Espanha, decidiu aceitar o projeto do Corinthians, movimento que marcou uma virada em sua trajetória.
“Eu vinha da Espanha, que me fez querer voltar ao Brasil porque eu jogava em um time ruim. O Corinthians estava montando um time. Teve sirene. Vocês não têm ideia como foi a recepção no Corinthians”, lembrou o ex-jogador.
