Academia Naja: a geração que construiu o boxe tailandês no Brasil

Antes dos grandes eventos, dos contratos milionários e das transmissões em alta definição, o boxe tailandês no Brasil nascia no chão duro, sustentado por disciplina rígida e identidade forte. Nos anos 80 e 90, quando a modalidade ainda buscava reconhecimento, […]

Antes dos grandes eventos, dos contratos milionários e das transmissões em alta definição, o boxe tailandês no Brasil nascia no chão duro, sustentado por disciplina rígida e identidade forte. Nos anos 80 e 90, quando a modalidade ainda buscava reconhecimento, a Academia Naja não apenas acompanhou o crescimento do esporte — ela puxou esse movimento.

Naquele período, não havia holofotes nem promessas fáceis. Ainda assim, havia convicção. E foi exatamente essa convicção que moldou uma geração inteira de lutadores.

Wellington Narany e a formação além da luta

Sob o comando do mestre Wellington Narany, a Naja se transformou em referência absoluta. Mais do que formar atletas, a academia formava postura. A técnica caminhava lado a lado com o respeito, enquanto o talento só se sustentava por meio da disciplina.

Ali, o tatame funcionava como escola. Já o ringue surgia como consequência natural do trabalho bem feito. Cada treino reforçava valores que iam muito além do combate.

Uma geração que construiu o esporte

Dessa forja surgiram nomes que ajudaram a consolidar o boxe tailandês e o kickboxing no Brasil. Jim Kelly impunha impacto e presença. Vavá Pinheiro traduzia raça em estado puro. Edmundo Andrade lutava com inteligência e precisão. Marcello Cea se destacava pela leitura refinada de combate. Marcos Vidal mantinha intensidade permanente. Márcio simbolizava a dureza dos treinos. Molina, por sua vez, tornou-se figura central de uma geração pioneira.

Além deles, outros atletas igualmente importantes fortaleceram a identidade da Naja e do esporte nacional.

A base que sustentava o dia a dia

Ademar Bocão levava força e personalidade ao tatame. Sappag representava técnica aliada ao respeito. Alan Santos mostrava constância e entrega. Ricardo Moreno carregava competitividade e espírito coletivo. PH personificava dedicação e identidade de academia. Rogerinho simbolizava a base forte e silenciosa que sustentava os treinos diários. Phillip Lima unia talento e comprometimento técnico. Osíris marcava presença num tempo em que lutar significava compromisso diário.

Cada um, à sua maneira, ajudou a manter a engrenagem funcionando quando quase nada era fácil.

Coruja e a ponte com os grandes palcos

Entre esses nomes, um conecta diretamente a Naja aos grandes palcos do esporte: Rafael Xavier, o Coruja. Observador, estratégico e maduro antes do tempo, Coruja levou para fora dos muros da academia os valores aprendidos na base.

Como resultado, tornou-se campeão estadual, brasileiro e sul-americano de kickboxing, além de vencedor no WGP. Sua trajetória não apenas consagrou títulos, mas também honrou a escola de origem.

Memória, reconhecimento e legado

Esses atletas talvez não apareçam em arquivos digitais ou estatísticas modernas. Ainda assim, permanecem vivos na memória de quem viveu aquela era. Eles construíram o esporte quando não havia glamour — apenas trabalho, sacrifício e convicção.

Por isso, a Academia Naja foi muito mais que um centro de treinamento. Ela atuou como polo formador, cultural e ético. Em tempos de crescimento acelerado das lutas no Brasil, revisitar essa história não representa nostalgia. Representa reconhecimento.

E, se algum grande nome dessa geração pioneira não apareceu aqui, fica desde já o pedido sincero de desculpas. A memória do esporte é vasta. E a história da Naja, maior do que qualquer lista.

RTI Esporte/Foto: Arquivo pessoal

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