Câmara aprova novas regras para o futebol feminino no Brasil; veja

Antes de mais nada, a Câmara dos Deputados aprovou o PL 4.578/2025, de autoria do Executivo, que estabelece diretrizes para o futebol feminino, com foco na profissionalização, igualdade entre equipes e proteção das atletas.

O texto aprovado define o desenvolvimento do futebol feminino como prioridade da política pública esportiva e atribui ao Ministério do Esporte ações para estimular a modalidade. A proposta segue agora para análise do Senado Federal.

A relatora do projeto, deputada Jackeline Rocha (PT-ES), destacou no parecer a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027 no Brasil como um dos fatores que ampliam a importância da proposta.

“A proposição representa importante instrumento para a adoção de uma estratégia de longo prazo voltada à superação das desigualdades historicamente impostas ao futebol feminino”, escreveu a parlamentar.

Limite para atletas não profissionais

Uma das principais mudanças previstas está relacionada à participação de jogadoras não profissionais nas competições nacionais. Na principal divisão do futebol brasileiro, cada equipe poderá inscrever até quatro atletas nessa condição.

Nas demais divisões nacionais e na principal divisão estadual, por exemplo, cada equipe poderá ter até seis jogadoras não profissionais. O limite será reduzido gradualmente até a profissionalização integral das competições.

Igualdade entre equipes entra no projeto

O projeto também prevê medidas para aproximar as condições oferecidas às equipes femininas das estruturas destinadas aos times masculinos. As organizações deverão garantir às mulheres os mesmos equipamentos e equipes de suporte utilizados pelas equipes masculinas.

Outra mudança exige equipes femininas nas organizações que formam atletas de futebol. A proposta também amplia a participação de mulheres na gestão, arbitragem e direção técnica, além de prever um plano para o legado da Copa do Mundo Feminina de 2027.

Proteção à maternidade e combate à violência

O projeto também inclui garantias relacionadas à gravidez e à maternidade das atletas. O texto determina o respeito “irrestrito” aos direitos das mulheres grávidas e às condições relacionadas à maternidade.

Também estão previstos protocolos contra discriminação, racismo, intolerância e violência contra mulheres, além de medidas para incentivar a igualdade salarial e antecipar a divulgação dos calendários das competições.

Câmara também aprovou reconhecimento cultural

Na mesma sessão, os deputados aprovaram o PL 1.842/2025, de autoria do deputado Helio Lopes (PL-RJ), que reconhece o futebol praticado no Brasil como manifestação da cultura nacional. O texto foi aprovado com alterações e seguiu para o Senado.

Na justificativa da proposta original, Helio Lopes escreveu:

“O futebol é uma das mais significativas manifestações culturais brasileiras, com papel central na construção da identidade nacional e na coesão social, transcendendo o campo esportivo para influenciar a música, a literatura, o cinema e diversas outras expressões artísticas e culturais”.

O projeto também prevê ações do Poder Executivo para a salvaguarda e valorização do futebol feminino “como expressão da identidade nacional, assegurando o direito à memória e à preservação dessa prática”.

As duas propostas agora dependem da análise do Senado para avançar no processo legislativo. No caso do PL 4.578/2025, as novas diretrizes ainda não substituem as regras atualmente vigentes no futebol feminino.

Câmara equipara clubes e SAFs em imposto de 5%; texto segue para sanção

Antes de tudo, a Câmara dos Deputados manteve a tributação atual das sociedades anônimas do futebol, afastando o aumento previsto na regulamentação inicial da reforma tributária. O texto aprovado preserva o modelo em vigor e traz alívio para os clubes que operam como SAF.

A decisão foi a mais aguardada pelos clubes de futebol nesta terça-feira, 16 de dezembro. Pela regra da reforma, a partir de 2027, a alíquota total chegaria a 8,5%, somando IRPJ, CSLL, Previdência Social, CBS e IBS. O relator do Projeto de Lei é o deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE).

No entanto, após manifestações contrárias no plenário, um acordo entre os partidos garantiu a manutenção dos percentuais atuais, de 3%, 1% e 1%, respectivamente. Dessa forma, os clubes ficam livres de impacto imediato em suas finanças. Vale ressaltar que o texto aprovado incluiu na base de cálculo as de vendas de atletas nos primeiros cinco anos da constituição da SAF.

Ademais, por consenso, os deputados aprovaram uma emenda de redação que estende o mesmo tratamento às entidades desportivas. Nesse caso, a tributação será definida com redução de 60% sobre as alíquotas gerais que ainda serão estabelecidas para toda a economia.

Assunto discutido na Câmara mobilizou as SAFs?

Atualmente, o Brasil tem mais de 100 clubes que se tornaram SAFs. Entre estes, estão Botafogo, Atlético-MG, Cruzeiro, Bahia, Vasco e Red Bull Bragantino, Cuiabá, América-MG, Coritiba, entre outros. Com isso, ligas Libra e LFU atuaram no sentido de mobilizarem lideranças políticas em Brasília.

Por fim, a matéria foi um dos itens da pauta de votação do projeto que regulamenta a gestão e a fiscalização do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Além disso, trata da incidência do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações (ITCMD). O texto é o segundo de regulamentação da reforma tributária.

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