Conheça Rogério Caboclo, candidato à presidência do São Paulo

Rogério Caboclo decidiu colocar seu nome na disputa pela presidência do São Paulo. Ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ele articula apoios no Conselho para formar uma chapa de oposição à atual gestão de Harry Massis Júnior.

A Agência RTI Esporte apurou que a candidatura ganhou força nos últimos dias, com conversas entre Rogério Caboclo e diferentes grupos da política são-paulina. O objetivo agora é reunir 55 conselheiros para formalizar a composição e confirmar a participação na eleição.

O pleito está previsto para a primeira quinzena de dezembro. Rogério Caboclo busca se apresentar como uma alternativa sustentada pela experiência acumulada dentro e fora do São Paulo. Sua relação com o clube, aliás, é antiga.

Rogério Caboclo é sócio desde 1990 e conselheiro vitalício desde 1998. Antes de chegar aos principais cargos da CBF, também participou diretamente da administração são-paulina em momentos distintos da sua carreira no esporte.

Passagem pelo São Paulo

Entre 2000 e 2002, por exemplo, Rogério Caboclo foi diretor-adjunto de Marketing e diretor financeiro do São Paulo. Na área financeira, segundo a nota divulgada por sua assessoria, encontrou um cenário de déficit relevante.

A gestão apresentada pelo candidato, por exemplo, teve como pilares o controle de despesas e a renegociação de dívidas. Ao deixar o cargo, ainda segundo sua assessoria, o clube apresentava saldo positivo em caixa.

O período também coincidiu com conquistas importantes. O São Paulo venceu o Campeonato Paulista de 2000 e o Torneio Rio-São Paulo de 2001. Aquele ciclo ainda teve a ascensão de jogadores como Kaká e Júlio Baptista.

A trajetória de Rogério Caboclo na CBF

A carreira de Rogério Caboclo ganhou dimensão nacional depois da passagem pelo São Paulo. Ele foi vice-presidente da Federação Paulista de Futebol e ocupou diferentes funções na CBF. Na entidade, exerceu os cargos de CEO e presidente.

Também foi diretor de Relações Institucionais do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 e chefe da delegação brasileira no Mundial de 2018, na Rússia. Sua trajetória ainda inclui participação nos comitês executivos da FIFA e da CONMEBOL.

Os números são utilizados por sua campanha como parte da justificativa para o retorno à política do São Paulo. Segundo a nota, a receita da CBF passou de R$ 263 milhões para R$ 957 milhões entre 2010 e 2019.

No mesmo período, por exemplo, os ativos teriam crescido de R$ 229 milhões para R$ 1,248 bilhão. A assessoria também cita R$ 190 milhões de superávit e R$ 540 milhões em investimentos diretos no futebol.

Gestão teve ações dentro e fora de campo

Entre as iniciativas, destacam-se a Central Única do VAR e investimentos na arbitragem. Também foram criados programas como CBF Social, School e Academy. As ações tinham foco na formação e capacitação de profissionais do futebol.

Durante a pandemia, a gestão adotou protocolos sanitários para viabilizar a continuidade das competições nacionais. No futebol feminino, houve ampliação de investimentos e mudanças regulatórias relacionadas à manutenção de equipes profissionais.

A gestão também destaca a equiparação salarial entre homens e mulheres nas seleções. No futebol, Rogério Caboclo atribui ao período nove títulos conquistados pelas equipes brasileiras. Entre eles estão a Copa América de 2019, o Mundial Sub-17 e o ouro olímpico de 2021.

O que Rogério Caboclo propõe para o São Paulo?

De volta ao cenário político do clube, Rogério Caboclo pretende dividir seu projeto em cinco áreas: governança, finanças, futebol profissional, categorias de base e clube social. A proposta prevê o fortalecimento dos mecanismos de compliance e gestão de riscos.

Também inclui a reorganização do perfil da dívida e maior uso de tecnologia e inteligência de mercado na contratação e formação de atletas. Outro ponto apresentado é a defesa de maior responsabilidade financeira na condução do futebol.

A candidatura ainda precisa converter articulação em apoio para ganhar força na eleição. Rogério Caboclo busca se apresentar como alternativa à atual administração do São Paulo. Sua experiência no clube e na CBF é o principal argumento para chegar à presidência.

CBF: Quem é Ednaldo Rodrigues último presidente afastado da entidade

Natural de Vitória da Conquista, Bahia, Ednaldo Rodrigues, 69 anos, ingressou no futebol profissional em 1992, na FBF (Federação Bahiana de Futebol). Graduado em Ciências Contábeis, antes dirigiu multinacionais como Coca-Cola e Pepsi, após experiência como jogador amador nos anos 1970.

Destituído da CBF em dezembro de 2023 e, posteriormente, reconduzido ao cargo em janeiro de 2024, Ednaldo Rodrigues, originário da Bahia, alcançou a entidade via Federação Bahiana. Iniciou como presidente da Liga Conquistense de Desportos Terrestres.

Em 1992, ascendeu na Federação Bahiana, sendo diretor do departamento de interior. Em 1997, tornou-se vice-presidente, e quatro anos depois, alcançou a presidência. Sua trajetória no futebol baiano o aproximou da CBF.

Assumiu interinamente a presidência da CBF em 2018, após o afastamento de Rogério Caboclo por denúncias de assédio. Como vice, negociou um TAC com o MP-RJ, resolvendo a ação que alegava desacordo entre a Lei Pelé e o estatuto da CBF.

Em março de 2022, Ednaldo foi eleito presidente da CBF. Concorreu sozinho, obtendo 137 dos 141 votos. A eleição foi inicialmente suspensa por ação de Gustavo Feijó, vice-presidente opositor. Mesmo assim, Ednaldo permaneceu, tornando-se símbolo de renovação.

Baiano e negro, assumiu um cargo historicamente ocupado por homens brancos de São Paulo e Rio de Janeiro. Ednaldo Rodrigues é um exemplo de diversidade na alta cúpula do futebol brasileiro.

“Sofri todo tipo de pressão de preconceito. Preconceito por ser do Nordeste, por ser baiano, por ser do interior, o presidente por ser negro. Essa é a grande realidade e a grande resposta”, disse Ednaldo Rodrigues, quando foi eleito, antes de prosseguir:

“Eu sou uma pessoa humilde. E continuarei sendo humilde. Frequento os mesmos lugares que frequentava quando era jogador amador em Vitória da Conquista. O poder não sobe à minha cabeça. Vou continuar sendo a mesma pessoa”, encerrou o dirigente.

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CBF: Entenda porque Ednaldo Rodrigues deixou a presidência da entidade

No dia 7 de dezembro de 2023, Ednaldo Rodrigues foi destituído do cargo de presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). A decisão abriu mais uma crise na casa do futebol brasileiro.

A medida resultou da análise da legalidade de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a CBF e o Ministério Público do Rio de Janeiro em março de 2022, que conferiu a Ednaldo Rodrigues a presidência da CBF por um período de quatro anos.

José Perdiz, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), assumiu interinamente o cargo de presidente da CBF após o afastamento de Ednaldo Rodrigues do comando da entidade.

A controvérsia teve origem em uma ação movida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em 2018, que alegava a inadequação do estatuto da CBF à Lei Pelé, exigindo igual peso entre federações e clubes de futebol.

O desenrolar do processo envolveu o afastamento de Rogério Caboclo, então presidente da CBF, por denúncias de assédio sexual. Ednaldo Rodrigues, na época vice-presidente, assumiu interinamente e negociou o TAC com o Ministério Público.

A eleição de Rogério Caboclo foi anulada, Ednaldo Rodrigues assumiu a presidência, gerando questionamentos por parte dos demais membros da gestão anterior. Os vice-presidentes alegaram não terem sido consultados sobre o acordo e prejuízos em suas posições.

Contestaram também a competência do juízo de primeiro grau para homologar o acordo. Dois ex-presidentes da CBF, Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, lideraram uma iniciativa para afastar Ednaldo Rodrigues e anular sua eleição, buscando a indicação de um interventor.

A controvérsia alcançou a esfera internacional quando a FIFA emitiu um comunicado à CBF, reiterando a necessidade de resolução interna das disputas entre os filiados, sem interferência externa.

Quem reconduziu Ednaldo Rodrigues ao cargo?

A FIFA alertou que o descumprimento dessa diretriz poderia resultar em suspensões para os respectivos membros. Nos últimos dias, autoridades do Governo Federal manifestaram preocupação com a candidatura do Brasil a sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027.

Após manifestações do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet Branco, e da Advocacia Geral da União, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, emitiu uma decisão provisória determinando o retorno de Ednaldo Rodrigues à presidência CBF.

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